Dove arrepia ao despir os falsos resultados da busca por aceitação: você não é como imagina ser; você é linda.

Se você trabalha com comunicação se prepare pois, na certa, esta vai ser uma daquelas campanhas na qual você gostaria de ter participado. Mas, caso seja só um agregado e/ou curioso da área, garanto que o clique e a leitura não serão em vão. Apesar de manter o já famoso conceito de beleza verdadeira, a Dove conseguiu, mais uma vez, surpreender e comover com este novo filme que, na minha opinião, funciona como um dedo em nossa ferida cultural e em suas milhares de esferas e conexões, que vão desde os valores que pregamos até os que consumimos ao mesmo tempo em que, aparentemente, criticamos. Arrisco dizer que este vídeo vale o play e a publicação vale a leitura. Reserve alguns minutinhos e desfrute desta sequência de insights que serão provocados, de maneira instantânea, na sua mente.

A Ogilvy Brasil deixou muito clara a proposta do filme “Retratos da Real Beleza” ao convocar para a campanha, o Gil Zamora, que nada mais é do que um artista forense do FBI, que já produziu mais de 3 mil retratos falados no decorrer de seus 28 anos de carreira. A essência da ideia gira em torno do relato de 7 mulheres que, de uma forma exageradamente impiedosa, se descrevem para Gil que, sem nunca vê-las, realizou seu talentoso trabalho de ‘retrato falado‘, baseado, unicamente, na opinião das mesmas.

“Imagine um mundo onde beleza é uma fonte de autoconfiança e não de ansiedade”. Foi a partir deste principio – que, na teoria, parece ser bem simples – que a campanha se desenvolveu. Um filme que, certamente, vai provocar o público feminino e o masculino.  Afinal, para que e para quem você vive? Ao assistir estas mulheres se descreverem, é quase certo que a insegurança de muitos usuários vai acabar se refletindo na telinha. Estes seres humanos que se definem e se reduzem como “apenas” um nariz fora de um padrão qualquer ou, ainda, se percebem com alguns números/quilos acima do que os outros esperam é algo que, infelizmente, nos é comum e familiar. Na minha opinião, a forma como elas falam de si chega a ser, de um jeito muito pouco sutil, bastante cruel. Se desvalorizam por aspectos que provavelmente passem despercebidos se comparados com as qualidades que as respectivas detém, mas que, infelizmente, encontram-se escondidas embaixo de seus “defeitos”.

Ao generalizar e dizer que você, sendo homem ou mulher, pode, certamente se identificar com o que está prestes a assistir, eu me apoio em uma triste estatística que mostra que apenas 4% da população feminina mundial se considera bonita: será que você faz parte dela?

Um vídeo que vale o play, a reflexão e, sem sombra de dúvida, uma mudança. Portanto, arrisque:

Para ter mais acesso à todo o material produzido por a campanha, basta visitar o site oficial  clicando aqui e daí, quem sabe, se surpreender descobrindo que você é muito mais bonita do que você pensa.

“Uma pessoa não é um nariz grande ou um cabelo ressecado. Ela é o conjunto de atributos que se somam ao brilho, muitas vezes escondido, de um olhar.”

A psicóloga Heloisa Lima, que mencionou a frase acima em um de seus artigos, diz que, muitas vezes, as perspectivas mais cruéis que um ser humano pode ter de si próprio é produzida por sua própria percepção, e não pela dos outros. A autodesvalorização, que não pode ser resumida como um pequeno ato de insegurança, deve ser atribuída à um perspectiva cultural muito mais ampla, responsável por tudo isso. Esta concepção gera e percorre desde as maiores capas de revista de moda, masculinas, de fofoca e de notícias, até preencher os mais diferentes canais de televisão, programas e propagandas que, querendo ou não, com muita força e inten$idade, se repetem em blocos comerciais e capítulos de uma trama qualquer que, infelizmente, em sua grande maioria, fortalecem, cada vez mais, um esteriótipo que a sociedade entende e cultiva – na prática – como o modelo de beleza a ser seguido.

A questão é que a absoluta maioria das mulheres não consegue, e nem sequer deveria se sujeitar, “caber” em um jeans 38 ou em um calçado 37. Ser fora do padrão que, sinceramente, nem sabemos como foi estabelecido, deveria ser visto como algo positivo – uma vez que é o verdadeiro modelo humano. Porém, para ir contra isso, antes de tudo, precisamos praticar este desligamento. Afinal, de que adianta eu fingir que não ligo para aparências se, no fundo, busco e invejo aquilo que mais critico? Habitar esta imensa hipocrisia é o que nos faz consumir 99% das marcas que continuam a exibir modelos com peso abaixo de 40 kg em capas de revista e a vender bilhões no embalo desta indústria que tem como combustível a nossa covarde cultura de não ir contra o que, evidentemente, nos desvaloriza em massa.

Um antigo filme da marca, que denuncia o quão distorcido é este parâmetro que, mesmo insatisfeitos, continuamos a alimentar com receios e medos de não sermos aceitos, é este fantástico time lapse que mostra as milhares de alterações/mutações que uma modelo sofre antes de impactar o seu público alvo: você. A criação foi da Ogilvy & Mather Toronto e, claro, vale o play:

É válido ressaltar que você não precisa ser mulher para ser impactado por estes esteriótipos. Afinal, uma propaganda qualquer de cerveja, que tem o público masculino como maior alvo, é muito mais carregada de esteriótipos e pressões culturais do que algumas direcionadas para um público feminino, como, por exemplo, as de lingerie.

Admito que sempre fui fã do posicionamento da marca pelo simples fato dela fugir do convencional. Mulheres sempre bonitas, perfeitas e que, infelizmente, se tornaram parâmetro de normalidade para a nossa sociedade, uma vez que o que é comum de se vender e instiga o consumo, acaba por ser comum no dia-a-dia, pois é ofertado em cada esquina e, ao nos impactar em capas de revistas, através de fotos photoshopadas com glamourosas bolsas, estranhos shampoos, diferentes vestimentas e peculiares cervejas, “sem ninguém perceber”, as imagens que compõe tudo isso sempre estão acompanhadas de um código de barras e/ou um logotipo qualquer. Se todos conseguissem notar uma destas duas coisinhas que sempre acompanham estes ‘parâmetros de beleza’ que nos aprisionam, certamente teríamos chance de construir uma cultura menos intensa no que diz respeito à frenética busca por uma inalcançável beleza que vivemos e, ao mesmo tempo, criticamos enquanto cultivamos, o que é um triste sinal de hipocrisia, mas que, se quisermos, de pouco em pouco, pode ser transformado.

Precisamos ser mais generosos uns com os outros, isto é fato. Mas este desafio começa diante do maior vilão deste contexto: o espelho. Este item que reflete nossa desconfigurada autoimagem, acaba por, consequentemente, projetar medos e receios em partes que vão cada vez mais nos desvalorizando, quando percebidas em um nariz que não é igual ao da personagem da novela ou daquela atriz que vive da própria imagem. Sei que é difícil digerir tudo isso, afinal, também sou humano e vivo esta batalha entre a dificuldade de ser feliz como sou e a busca proveniente da exigência sobre-humana de sempre ser aceito. Sentir-se bem como você é. Este é o verdadeiro desafio a ser vencido e tem que ser diário. Afinal, eu, você e todo o restante da população estamos vulneráveis aos impactos de novos parâmetros a qualquer minuto, seja na capa de uma revista ou com um novo implante de silicone. Precisamos deixar a superficialidade de lado e, de uma vez por todas, assumir o real sentido da verdadeira beleza humana.

É válido lembrar que:

“Quando você se olha no espelho, quem está de costas é você




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