Faz um tempo que li este texto do Christopher Hudspeth e, com muita paciência e determinação, consegui achar uma versão traduzida dele (é, você não achou que eu conseguiria traduzir, né?). As 18 cruéis verdades que ele desdobra no texto abaixo são bem difícieis de digerir e, parágrafo sim, parágrafo não, a coisa fica meio inocente, real demais, aí parece bobinha novamente e, de repente, você começa a se identificar como vítima e replicador destes sintomas e “modernas” atitudes que, pasme, nem são tão secretos assim.

Na primeira vez que li, achei meio bobo, típico daqueles blogs que entendem de relacionamento e que, numa tarde nostálgica, desdobrou alguns dizeres de uma coleção de papel de carta, transcreveu tudo para um blog e começou a disseminar a lista abaixo como se fosse uma verdade absoluta; mas ai admiti que não havia lido tudo, que tinha apenas dado uma olhadinha, um rápido scroll, e ao fazer isso, pensei que este talvez fosse um sintoma dos relacionamentos modernos, a preguiça. A preguiça quando o outro fala demais, consome demais nosso tempo, nosso inbox, nossa atenção no whatsapp ou nossa timeline de curtidas do Instagram. Assim que pensei isso me senti mal, meio vazio, e resolvi engolir seco e ler parágrafo por parágrafo.

Espero – sinceramente, que você não se identifique muito com a lista abaixo, seja como vítima e/ou replicador deste formato, mas se o fizer, não se desespere; não se esqueça que quem opera a tecnologia é você; bom scroll:

Quem se importa menos tem todo o poder. Ninguém quer ser “a pessoa mais interessada” da relação.

Infeliz verdade, mas em tempo de relações cada vez mais rápidas e líquidas, o medo de ser descartado é tão grande que, ao sentirmos isso, ao invés de nos valorizarmos e recomeçarmos as coisas, insistimos no caminho que, ao que tudo indica, parece ter evoluído em algo.

Porque nós sempre queremos mostrar para a outra pessoa o quão blasé nós podemos ser, joguinhos psicológicos como ‘Intencionalmente Levar Horas Ou Dias Para Responder Uma Mensagem’ vão acontecer. Eles não são divertidos.

O desinteresse ganhou novas frentes para a gente praticar e evidenciar o sentimento. Se sumir já evidenciava bem o fato, hoje em dia ganhamos ferramentas e aplicativos para sambar na cara do outro, por que sumir se eu posso mostrar o quão superior me encontro agora, né?

Uma pessoa sendo desapegada porque tem zero interesse em você pode parecer exatamente igual a uma pessoa sendo desapegada porque acha você incrível e, possivelmente, está fazendo um esforço consciente para fingir que não está nem ai. Boa sorte tentando descobrir quem é quem.

Criar expectativas, tentar adivinhar o que o outro pensa e criar inúmeras possibilidades é, de longe, uma das formas mais rápidas para se tornar uma pessoa totalmente angustiada, “aponta estudo“.

Ligações telefônicas são uma arte em decadência. Muito provavelmente, grande parte da comunicação do seu relacionamento vai acontecer por texto, que é a forma de interação mais desapegada e impessoal que existe. Já pode ir criando intimidade com as opções de emoticon.

Não julgue os outros e se faça de romântico(a) agora, mas, quantas vezes você já não guardou o celular no bolso enquanto um amigo(a) se abria completamente com você? Ou simulou estar dando atenção para uma importante conversa enquanto zapeava entre abas, assuntos e músicas? Não sei até onde é triste de admitir isso, mas o contato humano esta, ao mesmo tempo, em constante valorização e desvalorização – entendedores entenderão.

Planos com antecedência estão mortos. As pessoas tem opções e atualizações da última hora e com a localização dos seus amigos (ou outros potenciais romances) graças aos aplicativos e as redes sociais. Se você não é a prioridade, você vai ouvir um “Talvez” ou “A gente se fala” como resposta para o seu convite para uma saída e o(s) fator(es) decisivo(s) serão se a pessoa recebeu ou não ofertas mais divertidas/interessantes que você.

Num mundo cheio de opções é normal considerar todas as oportunidades até o último minuto, afinal, nunca se saber o que vai bombar na rede, o ruim é quando isso esbarra em outros usuários que, poucos sabem, mas são pessoas como todas as outras.

Aquele alguém que te magoou não vai automaticamente ter um karma ruim. Pelo menos não em um futuro imediato. Eu sei que parece nada menos que justo, mas às vezes as pessoas enganam e traem e continuam suas vidas alegremente enquanto a pessoa que eles deixaram para trás está em frangalhos.

A verdade acima é um fato e, por mais que você ache que acompanhar a vida desta pessoa na timeline aumente as chances de algo ruim acontecer, acredite, este está sendo o seu karma ruim.

A única diferença entre as suas ações serem consideradas românticas ou assustadoras  é o quão atraente a outra pessoa te acha. É isso, isso é tudo.

Apesar de ser totalmente contra a cultura stalker, dependendo da situação, algumas pessoas acham a coisa bonitinha ao invés de algo totalmente perigoso.

“Topa sair?” e “Vamos fazer alguma?” são frases vagas que provavelmente significam “vamos nos pegar” – e enquanto você provavelmente odeia receber uma dessas, elas são o jeito mais comum de convidar alguém pra passar algum tempo com você hoje em dia, e aparentemente elas chegaram pra ficar.

Sem personalidade e muitas vezes sem critério, a carência digital é, muitas vezes suprida com um ‘crtl+v‘ de alguma destas frases para inúmeros contatos.

Algumas pessoas só querem te pegar e se você está procurando mais do que sexo, eles não vão te falar “Alow, acho que eu sou a pessoa errada pra você”. Pelo menos não antes de você liberar o tindolelê. Enquanto a decência humana é o ideal, a honestidade não é obrigatória.

Ok, esta verdade não é novidade e nem é proveniente da tecnologia; a única diferença é que, mesmo prospectando uma saída ou mantendo contato com quem se gosta, devido as funções multitarefas de comunicação, é possível terminar com alguém e, ao mesmo tempo, já estar saindo com outra pessoa.

A mensagem que você mandou chegou. Se ela(e) não respondeu, pode ter certeza que não foi por causa do mau funcionamento das operadoras de celular.

É possível que no Brasil esta desculpe ainda cole mas, sinceramente, é comum esconder nossas verdadeiras respostas em desculpas mentirosas que a tecnologia pode nos ajudar a criar.

Tantas pessoas tem medo de compromisso e de estar sério com alguém que continuam um relacionamento não-definido, que acaba confundindo as coisas e só funciona até não funcionar mais. Eu já disse várias vezes, e vou dizer de novo – “nós somos só amigos” é abrir a porta para uma traição que tecnicamente não era traição porque, afinal, vocês não estavam juntos juntos.

“Juntos, porém separados” é um dos melhores títulos que já li. O nosso medo de se vincular a alguém é grande pelas opções que surgem entre o caminho que – diariamente, nos mantém conectados. É um pouco confuso, mas tem lá seu sentido, acho que, por este motivo, a maior parte dos relacionamentos no Facebook – por exemplo, são configurados como “it’s complicated”.

As mídias sociais criam novas tentações e oportunidades para trair. As mensagens por inbox e opções para um flerte sutil (ex. curtir a foto alheia) não servem como desculpa ou prova de uma traição, mas eles certamente aumentam as chances disso acontecer.

Mídias sociais também podem criam a ilusão de que você tem opções, o que leva as pessoas a verem o Facebook como um menu de pessoas atraentes ao invés de um meio de manter contato com o amigos e a família.

Checar possibilidades, checar o passado, checar o status, checar o ego; rotina totalmente absorvida na nossa falsa realidade de viver o agora. Estamos nos acostumando a viver de possibilidades.

Você provavelmente não vai ver muito da personalidade genuína e sem filtros de alguém até que vocês estejam em um relacionamento. Geralmente as pessoas tem medo de mostrar como realmente são e parecerem disponíveis demais, ansiosos demais, nerds demais, bonzinhos demais, seguros demais, não engraçados o suficiente, não bonitos o suficiente, não alguma outra pessoa o suficiente para serem acolhidos.

As redes sociais só potencializam esta antiga verdade, acho que, a grande frustração é se envolver com um alguém que não condiz muito com seu avatar. Talvez tenha menos sarcasmo do que parece ser ou, no whatsapp, pareça mais interessante do que pessoalmente e que, sem os milhares de filtros e hashtags do Instagram, seja até mais bonita.

Qualquer pessoa com quem você se envolver romanticamente, ou vocês vão ficar juntos para sempre, ou vão acabar terminando em algum momento. E ambos conceitos são igualmente assustadores.

Nada novo, só a verdade de que tudo, exatamente tudo, é 50%/50%; aliás, a chance de você estar odiando este post até agora e de a maior parte das pessoas nem se quer terem chegado até aqui – por mais pessimista que eu seja, é só de 50%.

Quando vocês estiverem namorando, ao invés de expressar como se sente diretamente para você, é mais provável que a pessoa publique isso no status do Facebook ou Instagram, uma foto tipo Tumblr, de um por-do-sol com uma frase ou trecho de música com as palavras de outra pessoa, e enquanto pode nem mencionar seu nome, é claramente para você.

Cansativo. Quantas declarações, quantas pessoas felizes pós-término e quanta Clarice Lispector é necessário para expressar o que, talvez, a sinceridade de um encontro ou até um telefonema resolveria ao invés de 58 posts compartilhados com 578 amigos que, não contextualizados, também não estão muito interessados na sua crise; vale a reflexão.

Tem muitas pessoas quem tem zero respeito pelo seu relacionamento e se eles quiserem a pessoa com quem você está, não terão escrúpulos na tentativa de ultrapassar os limites para conseguir conquistar a vítima. Girl Code e Guy Code são ilusões e código humano não é incorporado em todos.

Likes, pokes, comentários com triplo sentido e afins são, vistos por poucos, como sinal de traição e afins, porém, a grande maioria sabe que isso é a porta da insegurança; prosseguimos na prática e deixamos isso acontecer porque nunca se sabe quando a sorte pode dar um like na nossa própria foto, ‘vai que’ (…)

Se você tomar um fora, provavelmente vai ser bem brutal. As pessoas podem cortar laços pelo telefone e evitar ter que ver as lágrimas rolando pelo seu rosto ou terminar tudo por mensagem e evitar ouvir a dor na sua voz e o seu nariz escorrendo. Envie um texto longo e voilá, o relacionamento acabou. O caminho mais fácil está longe de ser o mais atencioso.

Se a relação começou digitada, pode ter certeza que ela vai terminar assim; não é uma questão de carinho, valorização e etc, é só uma nova dinâmica que adotamos, torna as coisas fáceis e difíceis em procedimentos mais ágeis de se concluir.

A ideia deste post é servir como um manual para as pseudorelações modernas que andam recheadas de surpresas e armadilhas que, decifrando-as, podemos evitar, ou, simplesmente, ignorar tudo isso e fazer diferente, até porque, apesar de culparmos tecnologias, aplicativos, clima, horóscopo e tantos outros fatores externos, é válido lembrar que, a mesma mão que manuseia o smartphone e, em algum momento o larga para apontar para o outro, apesar de ter um dedo na direção do “culpado”, existem três voltados para quem o apontou; você sabe quais são as suas 3 culpas?

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