Falo isso por experiência própria, odeio os relacionamentos digitais, aqueles frios, resumidos em curtidas, likes, links e ensaiadas mensagens de ‘bom dia’, ‘saudade de você’ e com alguns emoticons que esbarram na breguice.

A questão é que estes relacionamentos tem sido cada vez mais frequentes na vida de usuários, atualmente, conheço inúmeras pessoas que estão com alguém que conheceram através da tela, e não, não é só par perfeito ou algo do tipo, de tinder a instagram, e tem aqueles que puxaram assunto porque viram que eram amigos de um amigo que conhecia alguém.

O interessante é que estas relações, por mais intensas que fiquem, retomam sempre para o ponto de onde partiram: a tela, e neste caso, o dispositivo que detém a telinha digital fica sempre guardado no bolso, a disposição de cada um.

Esta camisinha digital que, neste texto-desabafo eu vou chamar de celular, é a nossa grande insegurança; é onde conseguimos ser, numa esquizofrenia quase que genial, intenso e descartáveis ao mesmo tempo.

relacionamento internet (1)

A tecnologia consegue nos fazer se relacionar à distância com pessoas que estão perto, ou que pelo menos, gostaria de, é a nossa egoísta barreira de ser; acredito que neste caso, o virtual é a grande máscara, é onde somos aquilo que o outro espera, e vice-versa, logo, a falta de coerência entre as realidades faz com que os relacionamentos se desenvolvam muito mais aqui do que na vida real.

O engraçado é que todos, de ambos os lados, sempre se sentem desconfortáveis com a situação, mas o fato é, aplicativos que “ajudam” você a encontrar alguém, seja por porcentagem, gostos ou geolocalização, querendo ou não, tiram um pouco do encantamento da coisa, das descobertas, mas até aí, tudo isso pode ser extremamente positivo, pode virar pauta numa conversa qualquer, o que realmente nos mata é que encaramos o outro com a obrigação dele ser exatamente aquilo que mostra ser aqui, no mundo digital, o mundo fantasia.

Nos esquecemos que aqui as pessoas só são aquilo que querem ser; numa analogia simples, é como se a internet fosse apenas os respectivos sábados e domingos na vida de todos, dias em que, na teoria, as pessoas conseguem ser mais autênticas e felizes, livre de rotina, estresse e com mais liberdade.

Essa cobrança pelo outro faz a gente esquecer de olhar para o próprio reflexo da telinha pela qual interagimos e estabelecemos expectativas, o que me faz pensar se, numa era tão cheia de facilidades para se relacionar, com tantos mecanismos cada vez mais primários em sua busca mais rápidos em sua tecnologia, será que a tecnologia está fazendo com que a gente comece a ter desinteligência em se relacionar ou, será que nossa falta de costume, inseguranças e tantas outras variáveis, é que nos fazem vítimas de uma evolução que apela num campo onde sempre iremos falhar – o humano?