Mais do que ter uma banda, tocar um instrumento, fazer parte de uma orquestra: a carreira em música é vasta e permite empreender de diferentes formas ainda durante a graduação. Isso porque os cursos na área de produção fonográfica trabalham desde marketing e publicidade até literatura e cinema. Depois de passar por inúmeros projetos em música, Eduardo Rabuske abriu em São Leopoldo, na região metropolitana de Porto Alegre, o RKE Studio. A ideia de ter o próprio negócio começou cedo, ainda no Ensino Médio, mas, devido aos custos e o conhecimento que ele não tinha, o sonho só virou realidade nove anos depois.

“Em contato com colegas músicos, soube que havia carência de estúdios de grande porte e preço acessível no Rio Grande do Sul. Eu precisava de conhecimentos técnicos em áudio, informações sobre o mercado musical e sobre administração”, conta. Mais maduro, Eduardo conseguiu o que tanto queria e hoje o RKE é referência na região.

O estado é conhecido no país como uma terra de talentos musicais, mas muitos profissionais precisaram migrar para Rio de Janeiro e São Paulo para que as carreiras pudessem tomar proporções maiores. Foi o caso de Engenheiros do Hawaii e a dupla Kleiton e Kledir, que, na década de 90, tiveram de sair do RS para dar conta dos projetos.

“O mercado fonográfico está em um processo de transição, e ainda não se sabe, com precisão, como será sua nova configuração”, aponta o professor da Unisinos, Charles di Pinto. Em 2013, ele coordenou o projeto Sigmund Records, desenvolvido por alunos de Produção Fonográfica. A ideia é trabalhar com novos artistas gaúchos, alimentar a cena musical gaúcha com novidades e abrir um novo caminho para as diferentes sonoridades presentes no estado. Uma inovação para o setor musical na região que abre oportunidades para quem tem a música como profissão. “O que o setor precisa é de soluções inovadoras para a monetização da música fonográfica”, conta Charles.

Com o mercado do entretenimento em alta, os profissionais de produção fonográfica ganharam ainda mais espaço. Entre aquele que não tem formação, apenas experiência, e o sujeito que tem conhecimento, questões que envolvem a música que passam desde a administração até o desenvolvimento de softwares, o profissional se destaca. “Ao mesmo tempo em que as gravadoras tradicionais passam por um período de crise, observamos um consumo surpreendente de música. O desafio é entender como potencializar esse consumo e colaborar para a construção de novos modelos de negócios que integrem a música fonográfica. A hora de construir o novo setor é agora, e o empreendedor está muito bem posicionado para ser o arquiteto dessa nova realidade”, diz o professor.

As grandes gravadoras ainda dominam o setor, mas agora, em razão da crise, buscam por profissionais que possam trazer ideias empreendedoras e sejam íntimos da cultura musical atual. Isso passa por curadoria, produção e promoção da música, audiovisual, produção de espetáculos e, principalmente, a relação fã-artista e como transformar isso em fonte para o desenvolvimento.

Crise sempre é tempo de oportunidades e foi assim que estúdios como o RKE e projetos como a Sigmund Records ganharam projeção. Para as bandas, isso é uma conquista. Com parcerias importantes com estúdios, a Sigmund já proporciona aprendizado sobre o processo de desenvolvimento de uma gravadora. Empreender, de fato, parece ser o caminho de sucesso a seguir.

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