Criatividade não é uma necessidade exclusiva de quem trabalha com educação. Quem dá aula também usa, e muito, para criar aulas diferentes e interessantes, como a professora Alycia Zimmerman. Ela, que dá aula de matemática nos Estados Unidos, e quando era criança não gostava de Lego. Começou a usar os blocos de montar para ensinar a sua matéria.

Todos sabem do potencial educacional e criativo do brinquedo. É fato que as crianças, quando brincam com Lego, vão desenvolvendo a sua percepção espacial e de proporção – como exemplifica a professora em seu texto para o site Scholastic. Mas nas escolas onde se usam os blocos, poucas vezes são usados para a construção de algo além do que já foi citado, e quando são, geralmente é para robótica (tem uns kits lindos pra isso. Mas muito caros =/ ).

Mas Alycia viu potencial para usar o brinquedo em suas matérias. Ela notou que as peças facilitariam a compreensão da formação de números através do agrupamento, ou seja, ficaria mais fácil aprender que um Lego de 6 encaixes, posto ao lado de um lego de 2 encaixes, seria igual à um de 8 encaixes. Assim, as crianças perceberiam que o número 8 é formado por “8 números 1”.

lego para ensinar matemática

Isso é bacana, porque ajuda a entender a formação do número, fração, soma, multiplicação, subtração, divisão e por aí vai.

Usando Lego para ensinar matrizes

A professora também percebeu que as peças podem ser usadas para ilustrar matrizes. Ela arranjou algumas peças de maneira que os alunos pudessem visualizar todas as relações que existem em uma área de 4×4, por exemplo. E esse mesmo exemplo torna mais fácil o entendimento do quadrado de um número. Olha só como ela fez.

lego para ensinar matemática

Usando Lego para ensinar frações

E uma das matérias mais complicadas pra uma criança, as frações, também podem ser explicadas com Lego. Quem não lembra que as vezes parecia confuso o fato de 1/4 ser maior que 1/8? Fica mais fácil entender isso através de algo concreto, como os blocos.

lego para ensinar frações lego para ensinar matemática

A técnica parece nova, mas é utilizada há muitos anos aqui no Brasil

Dra. Maria Montessori

Dra. Maria Montessori

Pois é. Claro que o material da professora merece destaque, porque é uma forma divertida e prática de ensinar. E usar Legos, que são um material facilmente encontrado (e lá nos EUA, bem acessível) foi uma idéia inteligente. Mas ela não é revolucionária como eu tenho visto algumas pessoas comentando, e tão pouco “aff, nunca vai chegar ao Brasil, porque a nossa educação é ruim”. Já chegou aqui há, pelo menos 50 anos (sério, a minha mãe aprendeu matemática desse jeito, assim como eu).

Só que no nosso país, ao invés de usar Lego, usamos o Material Dourado, que é bem possível que você se lembre, já que é um recurso amplamente usado nas escolas. Uma invenção da primeira mulher a se formar em medicina na Itália, a Doutora Maria Montessori, (1870-1952), o kit é uma ferramenta comum no repertório dos professores brasileiros.

Material Dourado são blocos de madeira que, apesar de não terem o mesmo formato do Lego e não se encaixarem, fazem a mesma coisa que a professora americana fez em sua sala de aula. O que não tira o mérito dela, pois ela buscou uma solução que – aparentemente – não existia na sua realidade. Mas eu quis trazer o kit para esse post, para mostrar que temos algo tão bom quanto, aqui no Brasil.

Material Dourado

Material Dourado

Apesar da situação precária, temos ótimos pensadores na área (se você acha que só existe o Paulo Freire, se engana), que vêm desenvolvendo vários estudos – desde usando os clássicos da pedagogia, além pensadores como Foucault e outros filósofos, até o desenvolvimento do ensino em rede através do resgate de pedagogos brasileiros que estavam esquecidos (pena que esse movimento teve que ser puxado por educadores europeus, mas pelo menos está acontecendo).

Você se lembra de alguma atitude diferente e interessante que os seus professores já levaram para a sala de aula?

E existem outras formas de se usar o Lego na sala de aula. Se você quiser saber mais, pode ir diretamente no texto da professora no Scholastic.

Deixe seu comentário