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Você quer mesmo liberar o emoji de “dedo do meio” no WhatsApp?

Acho que todos acompanharam a avalanche nas redes sociais de diversos tutorias com essa nova maravilha. Tudo bem que agora ficou tudo mais simples, é só baixar a última versão do app que já inclui a nova imagem. Foi tanta divulgação que fiquei pensado, precisamos mesmo disso? Em um momento, que relações são cada vez…

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A síndrome da televisão ligada

Estatísticas comprovam que a internet é a forma atualmente mais utilizada para se obter informações, já ultrapassando os tradicionais e convencionais meios de comunicação como televisão, jornal e rádio. A sensação que os usuários desta verdadeira rede de computadores interligados tem é a de estarem um passo à frente na escala evolutiva. A internet é percebida como um ambiente onde as pessoas conseguem filtrar e localizar o que realmente procuram. Mesmo que isto signifique achar que se está em contato com todo o mundo, em todas as culturas possíveis e imagináveis. 

Atualmente, utilizamos redes sociais que deixam seus usuários cada vez mais angustiados e cheios de insegurança.  E, apesar de termos o controle dos nossos acessos neste nem tão novo mundo de interatividade, acabamos por contrair, como efeito colateral, novas manias, doenças e vícios, que, infelizmente, acabam sendo subestimados e considerados consequências naturais deste intenso “processo evolutivo” ao qual tentamos desesperadamente nos adaptar. A grande questão é: até que ponto tudo isso é verdadeiramente benéfico para nós?

Para exemplificar e melhor ilustrar a ideia que gostaria de apresentar neste post, vou descrever o que acaba de ocorrer comigo. Aproveitando um momento de ócio criativo, tentei desenvolver uma teoria que resultou em uma nova – e totalmente sem base científica – síndrome que nomeei de síndrome da televisão ligada. Esta síndrome tem como principal sintoma o fato de substituirmos os meios pelos quais adquirimos informação, sem muito alterar nossas condutas. Pode parecer confuso mas vou tentar descrever o raciocínio que desenvolvi para chegar à esta conclusão, tendo em vista o que apresentei anteriormente e considerando que a sociedade mudou expressivamente o seu modo de consumir a informação, deixando, teoricamente, o controle remoto de lado para produzir e interagir através de uma “democrática” tela touch. Essa mudança de meio foi encarada como uma verdadeira conquista. O que é verdade. Mas existem algumas práticas que acabamos criando e cultivando que,  agora, merecem nossa atenção. Afinal, a internet ainda é totalmente “desobediente”.  Nela, podemos achar tudo o que pode e o que não pode, sem muita restrição. Podemos interagir com qualquer tipo de conteúdo através desta avançada tecnologia de comunicação.

A grande questão é que temos tanto acesso, tanta informação, tanto conhecimento armazenado e compartimentado que, no fim das contas, a internet pode se resumir em ‘muita aba para pouco clique’. Afinal, tamanha a oferta de acesso acaba por redundar na falta de conhecimento real para saber usufruir tudo isso. 

As redes sociais, com foco no Facebook, tem dinâmicas e objetivos muito simples aos olhos de quase todos aqueles que adquirirem o login e, consequentemente, o passaporte para o propósito da rede. Uma ótima maneira de dar sentido à síndrome da televisão ligada, é compreender que nosso comportamento na internet não se limita apenas ao  acesso aos portais, blogs, correntes, vídeos e outras inúmeras formas que concorrem para prender nossa atenção. 

A principal característica dos primeiros sintomas da síndrome, é o assustador nível de importância que concedemos a esta realidade paralela, apesar de aquilo ser apenas uma extensão virtual de nossas vidas. Desta forma, nunca deixamos nosso canal desligado uma vez que sempre estamos envolvidos com alguma coisa dele. Este tipo de comportamento é exatamente o combustível mais importante para a rede social de Mark Zuckerber que, inicialmente, foi criada a partir de um conceito mais romântico que visava reunir e socializar seus usuários. Ocorre que, com sua absurda evolução comercial, o grande negócio passou a sustentar a mais profunda coleta de dados de que se tem notícias, com seus mais de 1 bilhão de membros, que acabam por funcionar como produtos, abastecendo a rede social diariamente com informações e tornando-a algo muito além de que uma simples e amistosa extensão virtual.

Alguns fatores que podem auxiliar numa melhor percepção sobre este ‘turn’ no negócio de Mark, mas que a grande maioria ainda associa como uma mera otimização da plataforma para melhorar a experiência de seus usuários, são as recentes mudanças que foram implementadas. O formato do perfil, que agora imprime a ideia de ser uma verdadeira linha do tempo, nos proporciona a possibilidade de inserir mais informações sobre nossas vivências e, claro, potencializa assim, a coleta de novos e preciosos dados para a rede social.

Outra expressiva alteração foi o sistema de notificação de “mensagem lida” que, além de aumentar a expectativa do usuário, também potencializa o uso da plataforma. Afinal, você não deixaria um amigo aguardando uma simples resposta sua, sendo que o mesmo foi notificado de que você já teve acesso à aquela informação, certo?

Futuras propostas serão aplicadas nos perfis pessoais, concedendo um espécie de monitoramento para que cada usuário obtenha maior controle sobre sua própria audiência. Aumentando a eficácia de certas ‘indiretas’ e desabafos na timeline. Daí, no final, conseguiremos saber se aquela foto que postamos referente a uma super viagem, acabou por atingir o nosso verdadeiro “público-alvo”.

Atualmente, já nos acostumamos controlar esta vida paralela no Facebook. Cultivamos falsas impressões e monitoramos inúmeras outras vidas que, muitas vezes, nos geram sensações negativas como inveja, apreensão e incerteza . Ao invés de mudarmos o “canal”, continuamos assistindo a estes impressionantes blocos comerciais dos ‘amigos’ em nossas timelines.  Com o tempo, vamos nos enquadrando nesta nova conduta para que, no fim do dia, atinjamos um falso sentimento de aceitação.

O vídeo abaixo foi inspirado no poema de Todd Alcott – Television is a drug – e traduz, de maneira genial, minha opinião sobre a nossa conduta nesta rede social. Tanto do ponto de vista dos que produzem quanto dos inúmeros usuários que a consomem. No fim, caímos em uma cilada que nos leva a perder horas e mais horas entre visualizações de fotos e comentários de vidas não-vividas distribuídas em milhares de timelines. Alimentando, assim, uma arrogante visão que julga, sem muito entender, tudo o que lhe é mostrado. E, claro, contribuindo para a disseminação de informações. Afinal, esta é a ideia da rede social, não é mesmo? Socializar, trocar, investir e também consumir este tipo de material. Se você não se comporta como um canal de televisão no Facebook, na certa, você o assiste, ou vai tentar fechar a aba do crime logo ali acima? | Substitua o “television” por “facebook” e dê o play:

A síndrome da televisão ligada se aplica facilmente ao Facebook porque, devido à soma de inumeras sensações que vão aumentando à cada avanço do seu scroll na home da rede, nós, usuários, acabamos por adquirir de maneira crescente um desejo de também ser notado dentre aqueles que se destacam na “linha do tempo”. Afinal, também tem gente nos assistindo, certo? Portanto, tenha em vista que, ao se deparar com fotos de amigos que se divertiam enquanto você trabalhava ou assistia um filme qualquer, se sentindo, desta forma, uma pessoa “nem tão sociável” ou que não esteja aproveitando a vida, você, rapidamente, assim como seu amigo que fez aquele ‘upload da diversão’, adquire o desejo de notificar/transparecer que também é uma “pessoa feliz”. E não, não é que você seja apenas induzido a se divertir também. Junto a este novo desejo, vem a ‘necessidade’ deregistrar aquilo na rede social. Para que você também consiga se posicionar na linha que pretende definir o que é a tal da felicidade.

Este tipo de efeito dominó tem o poder de desencadear a insegurança e a angústia “alheia”. Onde todos, se comportando como verdadeiros canais de televisão, acabam por travar uma imensa batalha pela audiência, na qual se destaca aquele que conseguir se “diferenciar” e, evidentemente, adquirir mais likes, shares, comments e views. Afinal, convertendo o universo virtual para o real, em teoria, quanto mais amigos, likes, shares, views e cliques você tiver, mais querido e aceito você parece ser, não é mesmo?

 

Um aspecto extremamente delicado desta questão é que os usuários acabam por entrar em uma narcisista disputa por, ‘likes, shares, views e comments’, o que, em teoria, serve para massagear seus (nossos) respectivos egos. E acabam por cultivar uma falsa sensação de pertencer ao incrível e imaginário universo virtual. A atenção que se deseja alcançar está diretamente ligada ao nível de exposição do usuário. Como se aquilo que ali está exposto fosse o primeiro plano da sua vida e onde você se esforça para parecer real. Ter uma opinião sobre tudo é extremamente necessário, falar sobre a vida pessoal como se fosse algo muito importante, acaba por se tornar consequência desta desesperada busca por atenção. Reflexo de uma sociedade carente, que se isola cada vez mais dos contatos genuinamente humanos e interpessoais. Na rede social, o usuário acaba se tornando o “ator principal” de sua timeline e os outros membros, meros figurantes, podem ser simplesmente quantificados em forma de likes e afins.

Para se manter com uma boa audiência, é necessário evidenciar o que se destaca. Todos sabem que a rotina não é algo muito atraente de se divulgar. Pensando assim, este tipo de compartilhamento não é muito bem visto na rede social. Por isso, alguns comerciais acerca de avanços tecnológicos surgiram para potencializar a nem tão justa equalização entre a vida real e a esfera virtual. Dispositivos móveis que auxiliam a atualização de sua vida paralela tornam todos muito mais ativos na rede social, o que tem como consequência aquela já mencionada massagem de ego, pois estamos muito mais presentes e aceitos neste universo que, efetivamente, não existe no plano real.

 

Instagram: o “photoshop popular”.

A aquisição do Instagram pela rede social demonstra o quão superficial tem sido o nosso direcionamento neste universo on-line. Afinal, a nova rede adquirida tem como foco o compartilhamento de imagens, certo? Podemos até rotular o Instagram como um “photoshop popular”. Que tem como objetivo o compartilhamento de imagens ‘editadas’, que, com o auxilio dos inúmeros filtros disponibilizados pelo aplicativo, melhor se adapte ao estilo que o usuário gostaria de transparecer através de seu “personagem virtual”. Considerando que o usuário que se comporta como uma televisão, tem uma forte tendência a expor e absorver falsos diferenciais, por que não associar isso aos comerciais de alguns produtos? 

A ideia de associar o Instagram a um modelo de “photoshop popular” é exatamente a de uma ferramenta que, de uma maneira muito dinâmica, disponibiliza para o usuário a possibilidade de distorcer sua realidade – através dos mais diversos filtros – para torná-la mais interessante aos olhos de quem estiver ‘assistindo’. Por mais que os filtros do Instagram tornem a sua imagem em algo bacana para os outros enxergarem, a sua verdadeira experiência não foi alterada, ela se configura ali, naquele imagem que você clicou antes de distorcer que, felizmente ou infelizmente, não tinha muita graça e nem muita cor.

O ato de benzer o prato com o Instagram antes das refeições, também detém uma ideia similar à que foi apresentada. Dificilmente você fotografa o prato que mais consome, e sim aquele que se destaque, que tenha algo especial e que valha o ‘share’. Existem propósitos que sustentem esta nova prática, é claro. Mas se a rede social consiste em ser uma extensão de quem você é, por que buscamos destacar coisas que, honestamente, não nos pertencem? E por que mantemos a convicção de que notificar o mundo do quão importante está sendo o nosso dia é extremamente necessário?

Se viajamos, já temos o desejo de mostrar para todos os “amigos da rede” que estamos em um determinado local. Muitas vezes, esquecemos que estes posts são vistos – e julgados – por uma audiência que, talvez, a gente nem queira alcançar. É como postar uma foto querendo provocar a(o) sua ex-namorada(o) e, como consequência, impactar pessoas que você adicionou recentemente e que não tinham intimidade alguma para  “assisti-lo” tomando sol. É como gritar para todos os seus contatos da rede social que está adorando e aproveitando sua viagem no exterior, enquanto, a maior parte que visualiza – e não interage com a sua fantástica experiência – desconfia dos motivos da sua exposição. 

Estamos monitorando e sendo monitorados durante praticamente todo o tempo., Nos deixamos afetar e influenciar por coisas que sabemos que não são de verdade, e nos esforçamos para parecer aquilo que também não é de verdade. Uma mentirosa e delicada busca por aceitação em uma rede de relacionamento que, de tão etérea, chega a não existir no plano real. Afinal, é cômodo se comunicar com alguém, demonstrando algum tipo de preocupação, quando este mesmo alguém acabou de  fazer um Check-in no hospital, certo? Tanto o check-in, quanto a ‘preocupação‘, são formas superficiais que acabam por mecanizar a relação social tornando-a algo frio e superficial.

 

Valores em evolução.

Seguindo a linha de raciocínio do sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, acabamos por estabelecer e nos tornar reféns de novas necessidades que concretamente “não existem”. Atualmente, temos um grande medo de nos desconectar. Não conseguimos sair de casa sem um celular, pois tememos que, caso seja necessário, não consigamos contatar ninguém e vice-versa.

Um questionamento que vale ser levado em consideração é o fato de estarmos cada vez mais dependentes de serviços que estão criando e moldando novas necessidades e que, consequentemente, forjarão novos comportamentos. Imagine se o Facebook resolvesse cobrar US$2,00 mensais para que a gente conseguisse se manter conectado com o mundo, você cogitaria pagar esta pequena taxa, não? Ou pior, já estamos adquirindo e digerindo cada vez menos informações significativas. Imagine se o Google – e todos os outros buscadores – começasse a cobrar US$0,50 por busca. Teríamos de pagar, você não acha? Já é algo que pertence ao nosso mundo, uma espécie de “necessidade básica”. A coisa fica mais assustadora se a gente refletir desta forma projetando isso nas futuras gerações que já estão nascendo dentro deste universo, totalmente conectados e dependentes destas novas tecnologias. Amparadas por estes serviços que estabelecem estas novas “demandas” de necessidade.

Se pararmos para pensar, estes avanços consumistas não deveriam ser totalmente associados a ideia de uma grande evolução para a sociedade. Em alguns aspectos, estamos regredindo e alterando a nossa percepção de valores. Pois, acreditar que o novo modelo de ‘celular Y’ é algo que vai revolucionar um mundo que carece de atenção humana, é se afastar de inúmeras realidades que estão espalhadas pelo mundo real, e que não tem espaço e nem a possibilidade de se integrar ao virtual.

 

O Exibicionismo Vs. A Autorrealização.

Geoffrey Miller, que é professor de psicologia evolutiva na Universidade do Novo México, criou um interessante comparativo entre as duas fases do narcisismo consumista, que diretamente atingem e definem nossos mais verdadeiros objetivos. É como se tivéssemos um interruptor entre o “Exibicionismo” e a “Autorrealização“. O autor ilustra este incrível exemplo entre o ‘fulano’ – que quer exibir características – e o ‘sujeito’ – que busca apenas a obtenção de prazer. Para tornar tudo mais prático, vou apelidar um dos personagens como “Amigo Instagram”, sendo este o que preza pelo exibicionismo, e o outro, que preza pela autorrealização, será chamado de “Seu Vivendo”.

O “Amigo Instagram” tem como busca o sucesso, a fama e a riqueza. Este, antes de tomar qualquer medida, sempre projeta qual será a visão que a sua audiência vai ter sobre aquilo, o público-alvo da sua própria vida não é ele mas, sim, os ‘outros’. As principais caracteristicas de sua casa é o enorme hall de entrada e a grande sala de jantar. E, claro, se tivéssemos acesso ao seu iPod, as principais características do dispositivo seria o seu design requintado, o destaque para a marca da Apple e, certamente, um case que, mesmo não sendo funcional, auxiliaria o posicionamento de sua imagem. Comparando exatamente as mesmas coisas do “Amigo Instagram” com o do “Seu Vivendo”, as diferenças destacadas seriam mais ou menos assim: o “vivendo” tem como objetivo de vida a felicidade, a diversão e a realização. Não se importa muito com rótulos, olha muito para si. E, afinal, ele é o alvo de sua própria vida. O cômodo de sua casa com maior diferencial seria a confortável sala de mídia e a suíte. E como destaque em seu iPod, teríamos o tamanho do hard drive, a qualidade do som, da tela e a duração da bateria.

Acredito que este comparativo entre os dois personagens ajude a identificar o tipo de comportamento com o qual você mais se identifique no universo on-line. Basta um breve overview na sua própria timeline. É bom admitirmos que, em certo ponto, todos acabamos por ter traços dos dois personagens, o que é comum e aceitável – se bem ponderado – como parte do comportamento humano.

Afinal, quando escolhi a foto do meu perfil, utilizei alguns critérios de exibicionismo. Não coloquei o meu pior ângulo – embora seja meio difícil de se acreditar. Os benefícios que estas redes sociais podem trazer são absurdos, mas é necessário ponderar nossas responsabilidades nestes meios. Já tive ótimas surpresas utilizando os benefícios desta dinâmica de relacionamento. Como reencontrar antigos amigos, marcar encontros com grandes grupos de uma forma muito mais prática – e automática também, assim como postar fotos dos meus pedais urbanos por São Paulo e, no fim do mês, descobrir que alguns amigos compraram bicicletas para se juntar à mim. O ponto central do artigo é o nível de importância que temos concedido à tudo isso. Vivemos uma era em que os avanços tecnológicos, cujos fins são totalmente comerciais, estão se apoiando neste tipo de postura e comportamento de  massa que associam novas funcionalidades à grandes ‘evoluções’. Tanto que, em breve, teremos acesso à este universo através de um óculos do Google e, mais breve do que isso, iremos ter um celular totalmente produzido pelo próprio Facebook. Moldado e adaptado às ‘novas necessidades’ de seus usuários. Será que realmente precisamos disso?

Até onde tudo isso é evolução? Até onde o contato humano, o relacionamento, a conversa com ‘olho no olho’ são menos interessantes e importantes do que estes novos meios de se comunicar? Se aprendermos a desconfiar e refletir sobre estas novas manias, finalmente conseguiremos extrair os verdadeiros benefícios desta forma complementar de se relacionar. Diminuindo assim, o índice de pessoas que cultivam aquela fantástica paranoia escapista que cabe em um bolso e que, em qualquer momento de tédio, esta ali pronta para iluminar o seu rosto e lhe entreter, podendo ser descartado momentos depois.

Pois bem, se este é um formato de se relacionar mais reciclável, vamos começar a dar mais importância aos que são verdadeiros. Troque uma foto por uma experiência e uma boa conversa de chat por um jantar. Volte a se relacionar com o mundo sem precisar de intermediação, ou você já vive dentro de uma tela?

O autor admite que o artigo foi escrito ao som de “Jamiroquai – Virtual Insanity“.

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O relógio está correndo, sua vida está com pressa. E você, está fazendo o que ama neste momento?

Admito que não sou fã de rótulos estipulados por “gerações“, que, na minha opinião, são construídos para facilitar o entendimento comportamental da cada fase de uma sociedade. Acabamos dividindo e definindo tudo em pequenos blocos, que, nas entrelinhas, podem ser constatados pelas diferenças entre idades. Calma. É claro que a Era em que essas pessoas estão vivendo é totalmente diferente de outras que já foram vividas. Os avanços tecnológicos, os valores, os acessos e outros inúmeros fatores se modificaram no decorrer desta evolução, mas um importante ponto é que as outras “gerações paralelas” – que permanecem vivas – também estão acompanhando tais mudanças. Claro que com uma ótica totalmente diferente, sofrendo outros impactos e registrando outras impressões. Por isso, gostaria de deixar claro que este provocativo artigo não é direcionado apenas a alguma geração X, Y ou Z e, sim, para todos os seres humanos quem têm o prazer – ou a falsa sensação – de estar vivendo.

Para começar, a Box1824, empresa de pesquisa especializada em tendências de comportamento e consumo, fez um fantástico estudo que evidencia algumas das principais diferenças comportamentais desta atual fase que vivemos com algumas já vividas. Sem rotular, a ideia que gostaria que envelopasse este estudo da Box é a de que nem todos que – matematicamente – compõe uma “geração” são, de fato, condizentes com o comportamento esperado ou o que “deve” ser adotado por este bloco da massa. Por exemplo, eu tenho uma mãe – que não é “Y” – que domina uma recente tecnologia e já é viciada no consumo e na geração de conteúdo do iPad. Prática que eu, no entanto, mesmo sendo teoricamente um membro da “Geração Y”, ainda não me preocupei em exercer.

O estudo denominado “All work and all play” estabelece um interessante comparativo entre os diferentes objetivos, valores e destinos que os principais traços comportamentais das diferentes gerações construíram ao decorrer de um período. É estabelecida uma nova perspectiva proveniente deste atual modo com o qual temos levado a vida e, consequentemente, transformado o mundo. O vídeo me foi bastante inspirador e, na certa, vai lhe provocar uma porção de questionamentos que eu, como autor deste post, pretendo refletir ou complicar ainda mais ao decorrer deste artigo: 

Apesar do fantástico trabalho da Box, seria bom que nos atentássemos a alguns fatos que implicam nesta divisão de “gerações”. Afinal, como exemplificado anteriormente, nem todos seguem a mesma linha de raciocínio proveniente destes blocos divisórios. É fácil notar que muitos colegas “de geração” ainda acreditam que o plano de carreira é apenas um sinônimo para o plano de vida. Sendo assim, acabam depositando todo o seu tempo em um enigmático e suspeito jogo de ambições e sacrifícios temporários que, no decorrer da partida, se convertem numa rotina a qual, infelizmente, após determinado período, é adequada e aceita como realidade. Como o vídeo ilustra, a “Geração X” se torna refém de distantes e ilustrativos sonhos pintados à ambição, sacrifícios e status. Daí, pare e pense um pouco: qual é o seu plano neste exato momento? Onde você trabalha? Qual a sua perspectiva? Você está vivendo o seu sonho?

Uma das melhores definições de insanidade que já li é o fato de sempre repetir exatamente as mesmas atitudes e – de modo totalmente absurdo – aguardar e gerar expectativa para diferentes resultados. Enxergar isso atualmente é muito simples: é só assistir os amigos reclamarem de seus trabalhos, cargos, salários, perspectivas, tempo, vida social e sonhos sem nem sequer – de fato – tentar mudar o rumo do jogo.

Após ter assistido este vídeo e ter misturado estas diferentes constatações de “gerações” a alguns traços comportamentais de nossa sociedade, me lembrei de uma provocativa constatação que Dalai Lama fez ao ser questionado sobre o que mais o surpreendia na humanidade:

“O que mais me surpreende na humanidade são os ‘homens’. Porque perdem a saúde para juntar dinheiro. Depois, perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem-se do presente de tal forma que não vivem nem o presente, nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer… E morrem como se nunca tivessem vivido.”

Acredito que a gente consiga evoluir muito com estas possíveis mudanças comportamentais.

Mas o mais difícil – além de encarar tudo isso – é tentar fugir destes “modelos de sucessos” que nossa sociedade tem cultivado. Pois no final, se você não está fazendo o que ama e está usando a sua vida como um ‘ensaio’, é melhor você repensar seus próximos passos, não acha?

Algo muito interessante que o vídeo coloca como uma das principais características comportamentais desta atual geração é a ideia de se tirar proveito da vida durante o ‘caminho’ e não se apoiar em um pretenso sucesso final. É permanecer ambicioso, mas de forma mais ponderada e “racional”. É saber que a vida é agora e não daqui a alguns distantes anos. É conseguir “praticar” o comportamento que lhe permite mudar de direção com rapidez e desapego. Vivendo melhor o presente sem a ilusão de que tem total controle sobre o futuro.

Praticar a conflitante teoria de uma vida plena parece ser bem utópico. Porque, afinal, é ir contra inúmeras e diferentes pressões. É apostar que ser uma solteirona convicta e não atender à machista pressão de que para ser feliz é necessário estar com alguém ou ter filhos, no fim das contas, acaba por exigir um pouco mais de esforço. É conseguir viver sem se importar com os antiquados julgamentos que vão rejeitar uma nova rota que foge o rebanho. É não ligar para estes “ácidos olhares” – que podem estar apenas invejando a forma como você esta encarando tudo – e apenas praticar o que lhe faz feliz, deixando de lado o medo da imagem que os outros estão construindo sobre você.

Tendo em vista que você já leu até aqui – espero que as coisas estejam fazendo algum tipo de sentido -, eu gostaria de propor o seguinte “exercício”: tente estabelecer, mesmo que mentalmente, uma vida em que, ao invés de ter apenas 5 dias úteis, você consiga ter 7. Que você não se console com o “fim do expediente” ou com o “fim de semana“. Que você não se acostume a descarregar todas as frustrações coletadas durante a semana em válvulas de escape que a maioria acaba aderindo para amenizar e calar o pedido interno de mudança.

Você acha que conseguiria se adaptar a este novo formato de vida ou será que já se acostumou com a sua rotina de sobrevivência a ponto de ignorar o fato de que, talvez, você não esteja fazendo o que realmente ama?

O texto “Eu sei, mas não devia“, da Marina Colasanti, foi um complemento necessário para fechar este raciocínio pelo simples fato de traduzir – em sábias palavras – inúmeras sensações internas que a gente tem, sabe, “mas não devia”. Recitado por Antônio Abujamra, você na certa vai demorar alguns minutos para recuperar o fôlego depois de dar o primeiro play:

Precisamos ter coragem de cultivar um comportamento onde o foco reside na experiência e não na possível – e distante – obtenção de “memórias ilustradas” que pretendemos colher no decorrer de um futuro e imprevisível caminho. É ser realista e aceitar que bom mesmo é viver “o agora” e não correr atrás de um delicado sonho sustentado em um pedestal de inseguranças e sacrifícios que vão lhe consumir parte da vida sem ter a certeza de chegar lá.

Espero que os inúmeros parágrafos não tenham atrapalhado o acesso aos dois fantásticos vídeos deste artigo, pois uma outra peculiar e atual característica comportamental da nossa sociedade é que consumimos, de modo cada vez mais superficial, todas as informações que nos são vomitadas nos mais diferentes tipos de mídia. Temos tanto acesso que, muitas vezes, nem sabemos como lidar com tanta informação. Por isso, temos a tendência de deixar as respostas com o Google no lugar de tentar aprender. Por este motivo, suspeito que poucas pessoas vão argumentar, espalhar ou formar qualquer opinião sobre este longo artigo. Afinal, a vida tem pressa e nem todo mundo vai ter “tempo suficiente” para ler esta fantástica sequência de baboseiras, não é mesmo?

O autor confessa que o artigo foi escrito ao – nostálgico – som de “Everybody’s gotta learn sometimes“.

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Na publicidade, todo dia é dia de morte

Aviso: este post é dirigido para os já cansados publicitários de agência. Mas se você pretender se tornar um, bem fará se ler atentamente este artigo. Todavia, caso você não faça parte deste universo da publicidade, talvez seja legal você parar por aqui. Afinal, a frustração que apresentaremos abaixo é bem direcionada e pode ser que você não se identifique com a ”causa”.

Sabe quando você rala para justamente não entregar o clássico “arroz com feijão” para o cliente? Pensa, pesquisa e cria algumas bossas para surpreender não só ele, mas toda a provável audiência que você pretende impactar com o projeto – que você não consegue mais chamar de ideia, pois, afinal, aquilo ali é diferente, ousado, novo e não é possível que ninguém tope veicular, né? Pois bem, seja bem-vindo ao terrível mundo da publicidade, onde todo dia, meu caro amigo publicitário, – é dia de morte!

Talvez você já tenha lidado com esta situação, mas uma coisa é certatenha passado por isso ou não, NUNCA OUSE DESISTIR.

Esse acima pode parecer um parágrafo meio ‘auto-ajuda’. Mas não é, creia. O gostoso em trabalhar com a publicidade é que a ‘expertise’ fundamenta-se no amplo conhecimento que busca entender um pouco de tudo, mantendo-se  antenado e atualizado – é usar camisa xadrez sem ser em festa junina; é dar check-in em toda livraria da qual passa em frente só para parecer cult nas redes sociais; é tirar foto do próprio prato acreditando que aquilo tem um baita propósito – afinal, que outra profissão deixa você tão autêntico como a publicidade?

Admito que existam fases em que o foco é o resultado do cliente, a carreira, o dinheiro ou, até mesmo, aquela puxação de saco dos seus superiores. Mas uma boa ideia pode sempre mudar todo o rumo de uma dessas fases, não é mesmo? De qualquer forma, uma coisa é certa: não se deixe abalar pelas quedas no meio do caminho. Esse calejamento faz parte, seja ele mental, emocional e, muitas vezes, físico – calma, ninguém apanha, mas se você apanhar de verdade no seu trabalho, é bom ir até uma delegacia, é claro. Eu falo de virar a noite se entupindo de pizza. Tudo isso faz parte e o segredo é nunca desistir daqueles esboços malucos que você acaba criando. Mesmo que eles sejam produzidos durante uma reunião onde, em tese, você deveria estar totalmente antenado e anotando o foco do cliente e não em coisas como aquele aplicativo maluco que você terminou por rabiscar na agenda enquanto olhava e sorria para ele.

Na certa você já teve algum tipo de frustração. Se não foi na agência, pode ter sido na vida pessoal, mas infelizmente, este não é o melhor blog para você dividir isso. Porém, se você tiver uma história bacana sobre o que já viveu dentro deste universo do profissional da comunicação, é só deixar no espaço dos comentários. 

Vamos “constatar” – de acordo com as experiências – quem ainda tem mais “vida sobrando” neste jogo chamado ‘publicidade’ – é só comentar. 😉

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#KONY2012 – Pode ser histórico ou pode ser só mais uma corrente

Quantos plays, retweets, pin’s, +1, shareslikes e “going’s já distribuímos ao longo da famigerada ‘vida on-line’? Temos ciência da facilidade de acesso às informações assim como da multiplicação de discussões que o universo digital pode proporcionar. Porém, adianto que a ideia deste post não é discutir este tema mas sim a possível adesão a uma causa que pode mudar a maneira como nos comportamos na internet até hoje!

A pergunta é: será que tudo isso vai “sair do papel“?

Essa ação super bacana, que você está prestes a assistir, é resultado de um sério e dedicado trabalho envolvendo muitos jovens que lutam pela causa e acreditam na possibilidade de construir uma sociedade mais humanizada. Quando questiono se tudo isso vai ‘sair do papel’ é porque, honestamente, torço pelo “Call2Action” – que aqui provoca a audiência a desligar os computadores e partir para a ação concreta.

A causa é mais do que nobre: há muitos anos milhares de crianças de uma comunidade na África são vítimas de sequestros e forçadas a tornarem-se guerrilheiros de um movimento terrorista que também obrigar as jovens meninas a servirem como escravas sexuais. Este trágico processo é imposto por um cruel “líder”. O vídeo exemplifica e conta muito bem a construção e o objetivo que todo este movimento, denominado #KONY2012, tem como proposta. Ajuste-se à sua cadeira pois o vídeo abaixo vale mais do que um simples ‘play’. Merece toda a sua atenção:

Para assistir a versão com legenda – que não é oficial – basta você clicar aqui.

O vídeo mais do que conta uma história. Integra e  sensibiliza o espectador levando-o a lugares que provavelmente desconhecia, não é mesmo? Agora, se a gente parar e resolver se mexer de verdade, muitas coisas podem mudar. E, afinal, se você ainda está lendo este post depois de assistir a um vídeo de quase 30 minutos é bem provável que esteja mesmo interessado na causa!

A ideia é que isso aconteça de verdade e que você não apenas compartilhe este vídeo com os amigos (o que é parte super importante do processo), mas que também participe de maneira consistente. Por que não imprimir alguns cartazes e colar perto da sua casa na data proposta?

[P.S.: para imprimir os cartazes. você pode ir no site oficial do movimento e baixar tudo]

Imagine que milhares de correntes são feitas diariamente, algumas com ótimos resultados, desde a enfermeira e seu cachorro até a mãe que conseguiu arcar com os custos do tratamento de câncer de sua filha via apelo on-line. Isso tudo é mesmo fascinante.

A questão é: se esta causa já chegou onde chegou e o vídeo, neste momento, emplaca cerca de 70 milhões de ‘views’, será que você não toparia dar uma força para mostrar que por aqui (Brasil) as coisas também podem funcionar desta maneira? 

Abraçar um movimento desses não só valida a causa como também fortalece o meio através do qual temos nos comunicado. Articulando nossos planos também validamos nosso comportamento e nossas projeções. Afinal, você acha que se tudo isso der certo, não surgirão mais movimentos ousados e, principalmente, mais pessoas dispostas a colocar a mão na massa e ir além do mero clique?

Se você é de São Paulo, já criaram um evento. Caso você não seja e ainda não tenham criado um no seu Estado ou cidade, é bem simples: organize um convidando os amigos. Mobilize a galera para ajudar e bora arregaçar as mangas pois, como o título já sugere, o #KONY2012 pode se tornar histórico no lugar de ser só mais uma corrente perdida no ar…

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