E o “Dia dos Namorados” se aproxima. Para muitos(as), é o momento certo pra tentar arrumar algum flerte pelo chat ou então compartilhar uma daquelas correntes onde o usuário se diz “disponível” para namorar, esquentar ou até ‘andar de mãos dadas‘ por aí. Espero que você concorde que sua conduta no Facebook pode ser a responsável direta pela sua involuntária e atual “solterice”. Afinal, esta incrível rede social criada por Mark já é tida como extensão – verdadeira ou não – de nossas vidas, certo? Ou você vai me dizer que não está logado(a) no Facebook enquanto lê este artigo? 

O fato destacável é o intrigante questionamento: “até onde todas as nossas atualizações são, de fato, reais?“. Estudos comprovam o quão angustiados ficamos ao ver amigos postando novidades e atualizações ao estilo “vivendo a vida” em nossas timelines enquanto a gente – num profundo mergulho dentro da frustração – acelera o ritmo dos dedos ‘no scroll’ à procura de alguma coisa que nos conforte e nos deixe melhor na fita. O problema é que é bem difícil isso acontecer pois, afinal, ninguém tira foto do prato de arroz com feijão que almoça quase todo dia mas, sim, do delicioso e estético combinado de sushi do mais requintado restaurante “da região”. Acabamos por cultivar uma utopia em busca de aceitação e de registros de melhores impressões em nossas vidas/timelines, não é mesmo?

Associando estas breves edições de conteúdo  que praticamos cotidianamente, que vão desde a seleção da sua foto no perfil – na qual,  de alguma maneira, você tenta mascarar possíveis defeitos, como uma orelha amassada ou um beiço grande demais – até as palavras que escrevemos, apagamos e corrigimos inúmeras vezes até que nos façam parecer mais inteligentes do que, honestamente, acreditamos ser, me ocorreu um ótimo exemplo que, na certa, vai lhe encorajar a ser “#MaisVocê” e abrir a porta para inúmeras boas oportunidades através desta vida paralela intermediada por esta fria tela de computador. Que tal dar a chance para suas verdadeiras emoções, falas, gostos e opiniões se “expressarem” ao invés de se desgastar tentando moldar e editar o que é – felizmente ou infelizmente – verdadeiro? Apesar de inúmeros métodos e tecnologias avançadas… você ainda não pode ter a certeza absoluta do que estão pensando ou achando a seu respeito, por mais confiante que você possa parecer… já que você não tem controle algum sobre esta incrível (e humana) variável, por que não aproveita para desencanar e ser você mesmo?

Tudo bem. Estamos associando essa estranha brincadeira de registrar uma vida paralela – que adoraríamos que fosse a nossa verdadeira extensão – com a ideia de encontrar o verdadeiro amor. Mas, convenhamos, nem só de bons momentos vivem os seres humanos, né? Grandes almoços, ótimas leituras, badalados eventos e divertidas frases não é o que faz ‘você’ ser ‘você’, né? Pode parecer meio – ou muito – auto-ajuda, mas acredite, você e o mundo vão muito além do que uma simples timeline. E é extremamente normal você não ter uma boa sacada sobre o assunto  ‘X’ ou ter perdido a “oportunidade” de postar aquele link que você viu primeiro. São questões extremamente rasas e que não podem, de maneira alguma, definir quem você realmente é. Por isso, pelo menos hoje, se desapegue destes valores superficiais e se arrisque em ser simplesmente humano. Seja autêntico e, sem editar nada, diga para quem importa como é que você se sente.

Espero muito que alguém também se identifique com tudo isso, ou já me vejo enfrentando um grande conflito emocional após este “problemático” post! Afinal, a vida real não tem backspace. Então saia dessa falsa zona de conforto e mostre quem você realmente é, pelo menos hoje: “se arrisque“! 😉

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