Você foi até a cafeteria para tomar um delicioso café ou pelo simples fato de poder expor a sua presença naquele local através das mais diferentes redes sociais? Visitou aquela extensa exposição de um fotógrafo que não consegue nem pronunciar o nome para admirar seu trabalho ou para, também, inflar algum tipo de status? Para quê e/ou para quem? Uma linha extremamente tênue que define e evidência se vivemos pela experiência ou apenas pela memória. 

Não é de hoje que, infelizmente, o valor do parecer é, de longe, muito mais importante do que o ser. Foi pensando nisso que um dos questionamentos mais brilhantes que me pinçou a atenção foi algo parecido com:

Imagine que você ganhou uma viagem para qualquer lugar do mundo, por 1 semana, 1 mês, 1 ano… Sem nenhum tipo de custo, com o que você quiser e para onde você quiser! Pense em um lugar… Escolheu? Pois bem, a única questão é que todas as fotografias serão destruídas e você não conseguirá guardar nenhuma memória, como se tivesse tido uma espécie de amnésia ‘pós-viagem’. Tendo agora este fato em mente, você mudaria o seu “premiado” destino?

Eis aqui “O” TED que vai semear perplexidade assim que você der o play. O modelo de questionamento logo acima foi baseado – para não dizer plagiado, desde interessante vídeo; vale o risco e, consequentemente, a inquietação que o vídeo proporciona:

Apesar de não parecer, este TED é de 2010, e a pauta continua sendo 100% atual. Acredito que não seja em função da geração, das novas tecnologias e, consequentemente, nem dos novos meios de comunicação/relação. Na certa, este dilema é bem antigo e pode ser devidamente encaixado em cada período que nossa espécie já passou.

Será que não estamos deixando de lado a vivência de inúmeras experiências, sensações e reações em função dessa nova e tecnológica sede pelo compartilhamento? Afinal, compartilhar experiências é totalmente diferente do que se compartilhar memórias, um é concreto e registrado, já o outro, é, até certo ponto, invisível. Experiências são marcas, elas não passam, são vividas e, ao decorrer do tempo, não desbotam, amarelam ou se perdem em meio a diferentes HD’s e gavetas, elas simplesmente ficam. Já a memória, ela é uma extensão, podendo ou não ser esquecida – o que é relativo de acordo com a forma de ‘armazenamento’ e, consequentemente, como aquilo foi obtido, ou seja, experimentado. 

É como ir ao show de sua banda predileta e, no momento da sua música, ao invés de curtir, cantar e fazer o que bem entende, você registrar o momento. Será que aquilo foi vivido ou apenas registrado para, posteriormente, ser relembrado como um momento que ‘aconteceu’? É como ir ao cinema e tuitar sobre o filme, durante o filme. Os detalhes vão se perdendo em função destes registros compartilhados e, talvez, no fim das contas, você nem tenha assistido ao filme que o diretor, de fato, se propôs a produzir.

Resgatei este TED quando vi, na timeline de um amigo, uma publicação que, muito bem ilustrada, questionava a ideia de registro e compartilhamento que as redes sociais tem nos criado e alimentado; segue o post de André Jankavski:

Sempre que vejo uma foto, me questiono: ela foi tirada apenas para aquele momento ser guardado e, posteriormente, recordado ou somente para ser colocada no Facebook?

Qual a verdadeira importância?

Afinal, o que é mais importante: viver ou lembrar?

O que você tem cultivado até agora? Equilíbrio, experiência ou memória? 

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