2014 é um ano deveras interessante na história do nosso Brasa. Sediamos o maior evento esportivo do mundo pela primeira vez, com muitos poréns. Como não é de esporte que falamos por aqui, só quero pegar carona para mostrar que a música brasileira vai muito bem, obrigada, com montes de maravilhas espalhadas por aí.

Sim, nossa música vive um dos melhores momentos de sua história, o problema é que muito desse conteúdo não chega até você – ou até sua mãe, prima ou tia. Então vamos lá: escolhi um nome de cada cidade-sede da Copa do Mundo para mostrar que há (muita) vida sob esse sol duro do equador. Não é possível que nenhum deles lhe apeteça. Peço desculpas pelo texto gigante mas quem mandou fazer um país desse tamanho né?

São Paulo: A turma mais querida da megalópole é esta. Kiko Dinucci já demonstra ser “o cara” há alguns anos mas foi com o Metá Metá, em companhia dos geniais Thiago França e Juçara Marçal que a coisa deu o salto. Punk afro, poesia urbana, riffs distorcidos com tambores, o trio é um regaço. Ouve aqui e diz se não:

Natal: DuSouto é um trio de jóias devotas de Jah. Mas, presta atenção que não é reggae roots não. Como eles próprios se definem: “uma mistura perfeita de música regional, samba, funk, drum’n’bass, dub, reggae e muita cretinagem!”. Então, digamos, zuera infinita mas em um som daora.

Salvador: Lucas Santtana é o nome mais legal vindo da Bahia, há anos. Com já 3 discos lançados, um mais lindo que o outro, é um perfeito representante da ótima música nacional contemporânea. E anda é um p*ta criador de títulos, “O Deus que devasta mas também cura” tá aí pra mostrar.

Cuiabá: Vanguart é o principal representante da cena cuiabana atualmente. Criando um folk cada vez mais pop, vem ampliando seu público e chegando cada vez mais perto de cruzar a linha do “grande público”, para além do “indie”.

Belo Horizonte: O Graveola (e o Lixo Polifônico) é já veterano da cena independente nacional. Um pouco mais hippie que outros nomes dessa lista, puxa da MPB tradicional um psicodelismo daqueles simpáticos e bonitos, cheio de sutilezas.

Fortaleza: Cidadão Instigado é, indiscutivelmente, a maior banda que veio de Fortaleza, minha terra natal. É tão ímpar que só poderia ter surgido nessa cidade de tudo e de nada. Ácido e sentimental, duro e doce. Abra os ouvidos, se instigue.

Manaus: Karine Aguiar é um dos poucos nomes de Manaus, herdeira da MPB tradicional com influências do afastado norte e amazonas. Bom ver que surgem sim novos nomes em Manaus.

Recife: Recife é aquela cidade que revela tanta coisa que mal dá pra escolher. Pra ficar só com uma, vou de Siba. Apesar de ser antigo demais na cena – o cara criou o Mestre Ambrósio – é um dos mais “low profile” do país. Depois de mil projetos, lançou o primeiro disco solo em 2012 e: que disco, amigos. Poesia moderna da Zona da Mata. Ele é demais.

Brasília: Moveis Coloniais de Acaju. Mesmo com esse nome a big band da capital consegue ser quiçá a mais divertida dessa lista. Com um show digno de festança, já lançaram três bons discos e é mais uma banda que se aproxima do mainstream. Pop no bom sentido.

Porto Alegre: Apanhador Só, a banda mais interessante do último ano. Surgiu como uma banda fofinha e deu um salto criativo do tamanho do Guaíba até o segundo trabalho “Antes que tu conte outra”, maluco e ousado. Frescor juvenil dos bons.

Curitiba: Karol Conká é daqueles talentos raros do hiphop: que cantam e rimam com desenvoltura. “Batuk Freak” é um debut de respeito, fortalecendo a presença feminina na crescente cena do rap brasileiro. Corre Erê!

Rio de Janeiro: Cícero é o mais próximo de “revelação” pop que o mundo indie testemunhou nos últimos anos. Com seu violão despretensioso o garoto estourou entre a molecada com um primeiro disco cheio de doçura e sensibilidade. Haters gonna hate, mas ele, do seu jeito, é um belo representante da jovem música alternativa brasileira.

Ouça a playlist completa aqui:

Sobre a autora: Yasmin é cearense por nascença, gaúcha de coração e paulistana por casamento. Já berrou abobrinhas em rádios online e FM e vive escrevendo sobre música. Atualmente, é a maior fã de música na Deezer Brasil. É viciada em esportes e não acredita no hype. http://www.deezer.com/profile/303004553
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