A única coisa que você não controla na sua vida é o tempo. Alguns campanhas publicitárias de cremes até prometem isso para as mulheres e, alguns banners – em sites de pornografia, também perpetuam a falsa promessa para o público masculino  mas, sinceramente: não se iluda. Tempo é uma coisa que você tenta, mas, raramente, controla. É por isso que este é, de longe, o bem mais valioso que temos, mas sem nenhum controle.

E foi enxergando esta realidade cada vez mais cheia de atalhos tecnológicos que são produzidos e chegam com a exata promessa de poupar o nosso consumo de tempo que, o o canal de YouTube College Humor lançou um desafio em vídeo de apenas 3 minutos. Com aplicativos e dinâmicas 3G que tomam cada vez menos tempo e geram mais resultado, a ideia deste vídeo foi propor e levantar esta questão através de um inteligente discurso de informações que fazem você questionar cada sintoma e vontade ao decorrer dos rápidos 180 segundos.

Com uma dose de sarcasmo e outra de provocação, o vídeo evidencia sintomas e fatores óbvios que deixam claras algumas verdades, como: nós viramos – assumidamente e descaradamente, seres imediatistas. Apostamos em aplicativos que nos ajudem a resumir e rotular outras pessoas, e pior, justificamos que isso ‘facilita buscas’. Apostamos em algorítimos que também agrupem conteúdo, informações e pessoas que sejam do nosso interesse, tudo por pura comodidade e economia daquilo que temos de mais incontrolável: o tempo.

Tempo é uma coisa extremamente relativa, assim como idade, são apenas números, o que valida este resultado numérico é o aproveitamento de tudo aquilo que se viveu até ali, afinal, existem cinquentões que, apesar do número, ainda não aprenderam ou praticaram nada daquilo que aprenderam ao decorrer de suas experiências, e vice-e-versa. Mas a relação com o provocativo tom do vídeo é o desafio que ele nos propõe de questionar o quão inquieto e o ‘por que’ seguimos e ficamos daquela forma diante de meros 180 segundos de um vídeo que, no fim das contas, apela pela sua atenção e, na certa, aborda questões que, talvez, como bons viciados em internet que somos, a gente não queira discutir.

Será que nos tornamos mimados ao ponto de não só postar aquilo que realmente gostamos, mas de também consumir, questionar e entender só aquilo que é do nosso interesse? Falando assim, até parece válido, afinal, pra que discutir e entender de questões que sejam da conta dos outros, né? Este pode ser o nosso primeiro passo para nos tornarmos a pesca nesta imensa teia de informações, onde nos empurram conteúdo que nos mantém estático e calados; um inocente primeiro passo para a alienação em massa, algo extremamente perigoso, mas que nossa mente, sem muito entender, impulsiona com pressa de acessar mais e “viver” mais.

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