Por que é importante que eu diga que achei o primeiro filme d’Os Vingadores um filme fraquinho, que eu sempre detestei o Gavião Arqueiro (muito mais porque ele é interpretado pelo Jeremy Renner do que por qualquer outro motivo) e que o Homem Aranha 2 (do Sam Raimi, não esse novo) é o meu filme de super herói favorito de todos os tempos? Em parte pra criar uma “polemicazinha” com algumas pessoas que conheço, em parte pra poder ilustrar o quanto Vingadores: Era de Ultron me impactou.

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O diretor Joss Wheadon

Imagine o seguinte: Cenas de ação não são mais um mistério, principalmente para um diretor experiente como Joss Whedon e a competentíssima equipe da Industrial Light and Magic. É “fácil” colocar o Hulk pra pular e destruir coisas, os personagens pra voar, a Viúva Negra pra dar piruetas enquanto quebra o pescoço de alguém com as coxas (ela sempre faz isso. É um golpe muito plástico e poderia ter saído de um filme dos irmãos Watchowski). Desenvolver personagens durante a ação é que é difícil. E foi aí que esse novo filme d’Os Vingadores me ganhou e conseguiu chegar bem pertinho do filme do Cabeça de Teia.

Pra quem gostou da ação desenfreada e super bem coreografada do primeiro filme, uma boa notícia: ela está incrivelmente melhor. Eles trabalham em conjunto, e a cena inicial é a melhor cena de abertura de um filme de super heróis (quando você assistir o Thor e o Capitão América trabalhando em conjunto, vai entender o que eu digo). E essa questão do trabalho em equipe, que foi apresentada no primeiro filme de uma forma bem chata, nessa continuação cinematográfica do super grupo da Marvel, é usada pra construir uma história mais madura, mas sem ser sombria – como muitos pensavam.

Por exemplo: o drama do Bruce Banner é muito bem explorado e pela primeira vez ele não parece apenas um chorão chato. Ele entende que é necessário para o grupo, que é importante usar os seus poderes para “o bem maior”. Mas faz isso sem abrir mão de sua consciência, e sabendo que o fato de não conseguir controlar a sua personalidade verde, cria regras pra fazer isso. E essas regras geram uma limitação bem interessante, que funciona muito bem na trama do filme. Inclusive para gerar a tão aguardada luta entre o Hulk e o Homem de Ferro utilizando a Hulkbuster.

E pra quem quer saber, digo: A luta entre os dois, que causou gritinhos durante a campanha de marketing do filme, é bem bacana e divertida. Mas o filme tem embates muito melhores, e esse não é o ápice como muitos imaginaram.

Ultron: um vilão tão bom que poderia lutar contra James Bond

"There's no strings on me"

“There’s no strings on me”

Quem gosta dos filmes do James Bond sabe que ele é o herói com os vilões mais “vilanescos” do cinema. Os caras são malucos, até quando são mais realistas (hahahahahahaha), e sempre têm um plano mirabolante, com uma arma secreta épica, para atingir os seus objetivos megalomaníacos. Bem, o Ultron também.

Desde o filme do Superman com o Christopher Reeve, lá da década de 70, o plano de um vilão de quadrinhos não gerava um final tão épico.

Pra quem não lembra, no filme do azulão, Lex Luthor jogava uma bomba nuclear na falha de San Andreas, pra gerar um terremoto e separar o estado da Califórnia, dos Estados Unidos. Durante o processo, a Lois Lane morria e o Super-Homem voava para o espaço, girava o planeta ao contrário e fazia o tempo voltar. Como ser mais épico que isso? Bem… Não tem como, mas o Ultron quase chegou lá.

Não vou falar o que é, porque seria um spoiler muito grande. Mas quando você assistir o filme e ver o plano com os seus próprios olhos, duvido conseguir evitar de bater palmas (ok, estou exagerando). O Ultron sabe como extinguir uma espécie. Principalmente, porque ele resolve fazer isso com um pouco de ironia, já que ao contrário do normal, ele não é uma inteligência artificial fria como estamos acostumados a ver. Ele é um robô com personalidade, e mau como um pica-pau. Não foi a toa que chamaram o James Spader pra fazer o vilão do filme.

E tudo dá errado, só porque o Tony Stark queria se aposentar

Esse filme é tão bem construído, que a criação do vilão se dá de uma forma bastante crível e que vem sendo costurada desde o primeiro filme d’Os Vingadores: o Tony Stark quer pendurar a armadura.

Ter viajado para o espaço através de uma fenda cósmica enquanto a perspectiva da Terra ser totalmente aniquilada era bem real, trouxe traumas profundos, que foram ilustrados durante o terceiro filme do Homem de Ferro. Você deve se lembrar de que ele começou o projeto de armaduras automatizadas, porque queria garantir vários “homens de ferro” espalhados pelo planeta, garantindo a paz no mundo.

Mas o tempo passou, e os seus objetivos foram um pouco alterados: ele também ficou cansado demais para continuar e o que antes era uma tentativa de espalhar a sua presença para os quatro cantos do globo, passou a ser um projeto de aposentadoria. A única coisa que faltava, era uma inteligência artificial para coordenar esses robôs…

Os personagens são desenvolvidos nos momentos da calmaria… e durante a ação

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O Gavião Arqueiro: o personagem mais sem sentido do grupo, que sempre pareceu muito forçado (sério, eles têm armas laser em armaduras voadoras, pra que flechas que explodem), a quem sempre se tentou dar um ar de mistério que, no final das contas, não gerou muita expectativa porque ninguém dava a mínima para o passado do personagem. Em Os Vingadores: Era de Ultron, ele é uma das surpresas mais bacanas e tem um papel muito importante.

Depois dos eventos de Capitão América: O Soldado Invernal, ele acaba se tornando um coadjuvante muito importante dentro do contexto do grupo: em um conjunto de super seres, com super problemas, ele é o elo de ligação deles com o “mundo real”, e é quem faz o grupo ficar “mais pé no chão”, em um momento em que eles precisam aceitar uma nova realidade e se recompor. E ele faz isso se expondo de uma maneira muito bonita (pelo menos pra mim), pois abre mão duas coisas muito importantes na sua vida. De certa maneira, ele faz sacrifícios reais para ajudar a salvar o mundo.

A Viúva Negra, que também era um personagem meio desinteressante nesse mundo do filme, é um pouco mais desenvolvida durante o longa e acaba criando uma curiosidade genuína em quem assiste. Pela primeira vez eu comecei a pensar positivamente em um futuro filme da personagem.

Outro personagem que se destaca é o Hulk. Além dele ter uma ligação maior com as necessidades dos outros heróis fora dos combates, é na utilização dele no campo de batalha, que a história mostra a busca de soluções mais inteligentes para o que antes era só uma chatice: o verdão não participa de todos os combates, sendo uma espécie de “arma secreta”, utilizada apenas quando extremamente necessário, já que o monstrão é uma força descontrolada e pode colocar os outros em perigo.

E os demais personagens, até por já terem tido os seus filmes, são meio postos de lado durante os momentos de calmaria, mas sem decepcionar. A forma com que eles interagem e mostram o seu crescimento é durante as lutas, trabalhando em conjunto de uma maneira que eu nunca vi no cinema de heróis. Realmente faz sentido eles serem um grupo, e não um “bando”, como eram no primeiro filme d’Os Vingadores.

E no final das contas, as 2h40min vão passar rapidinho

E o filme é redondinho, porque ele tem esse tempo todo por necessidade e não por pirotecnia. O roteiro realmente desenvolve personagens e história, não sendo apenas uma sequência interminável de lutas e explosões (que quando acontecem, não decepcionam).

Até as piadas estão melhores. Lembra daquela cena repetida durante toda a campanha de divulgação e trailers, onde eles estão reunidos na cobertura do Stark e tentam ver quem consegue levantar o martelo do Thor? Pois é, a piada não termina ali, ela tem prosseguimento mais adiante no filme… E é um momento engraçado, ao mesmo tempo que serve para responder uma pergunta importante para o desenvolvimento da história (e do futuro do Marvel Cinematic Universe).

Portanto, não tenha dúvidas: pode assistir o filme com tranquilidade. É um bom filme de super heróis; é um bom filme de ação; é o filme mais divertido da Marvel (e eu pensei que esse título seria, eternamente, de Os Guardiões da Galáxia).

Ah, e tem cena de “meio dos créditos”. Você vai ver os nomes dos atores principais, e daí vem uma cena importante para Os Vingadores 3. Correm boatos que uma segunda cena será adicionada no lançamento… Se você assistir, diga nos comentários! =)

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