O filme “Os 33”, tem dois apelos: o primeiro é contar mais detalhes de uma história que todo o mundo acompanhou ao vivo pelos jornais, e o segundo é um ator brasileiro em um papel de destaque em um filme internacional. E qual o resultado disso? Bem…

Vou começar falando do Rodrigo Santoro. Ele, certamente, é o que o filme tem de melhor. No meio de personagens horrivelmente exagerados, pintados em estereótipos que você esperaria ver em um filme ruim da década de 80 (o alcóolatra que não se dá bem com a irmã, o líder covarde, o corajoso que vira líder, e por aí vai), o ator brasileiro é o único que dá ao seu personagem, uma atuação crível e superando o roteiro ruim que não explora nada direito.

Fora isso (que infelizmente não é o suficiente para salvar o filme), nada se salva. A diretora e o roteirista parecem querer fazer o público chorar, ao invés de contar a história. Em nenhum momento você fica apreensivo pelos personagens, porque nenhum dos problemas é desenvolvido corretamente.

Funcionava assim… Alguém dizia: “Temos um problema”. Corta, vai para a apresentação do problema. “Se tomarmos essa iniciativa, pode dar merda”. Daí alguém decide que é preciso tomar a iniciativa mesmo assim. Então ao invés de desenvolver a história focando na solução, não… tudo se resolve magicamente, ou o tempo avança dias, até o próximo problema. É como se a história dos 33 mineiros soterrados estivesse sendo vista pelo Adam Sandler com o controle remoto do filme Click.

A fotografia é uma tristeza só. Ao invés de aproveitar o tema e apresentar uma fotografia claustrofóbica, não… É só algo escuro e desagradável. Nem a trilha sonora do James Horner (já falecido) salva. Ela parece a do Titanic, só que feita com pífaros.

E eu fui torcendo pelo Santoro. Pelo menos, ele não decepcionou. Mas no final, senti que ao invés de assistir esse filme, eu devia ter revisto O Resgate de Jessica.

Deixe seu comentário