Para o relançamento das nossas entrevistas comunicativas, hoje contamos com a participação do Ruy Lindenberg, que é VP de Criação da Leo Burnett. Confira:

1 – Qual foi o seu primeiro contato com a propaganda? Onde ocorreu?

Eu estava fazendo a FGV (Fundação Getúlio Vargas), cursando administração de empresas, e aí tive um trabalho sobre propaganda. Precisava escolher um produto, definir o mercado e criar a campanha. Gostei tanto que resolvi que era criação que eu desejava fazer. A partir daí, comecei a procurar estágio e entrei para a profissão. Ou seja, pulei para o outro lado da mesa.

2 – Você acredita que o mercado da propaganda mudou bastante de quando você entrou até hoje? Quais as maiores mudanças?

Mudou radicalmente. Hoje nós temos as novas mídias, a audiência está dispersa por mídias como internet, celular, televisão a cabo, televisão comercial, etc. Isso faz uma enorme diferença.
Outra diferença grande é que os profissionais saem das escolas de comunicação e, muitas vezes, são PHDs em festivais. Eles vêm com todo o repertório de Clio, Cannes, NY e London Festivais, por exemplo. Até se conseguir uma idéia original, é um longo trabalho. Primeiro, um trabalho de desconstrução e depois de reconstrução. Ou seja, esquecer o que viram nos festivais e olhar melhor a vida, a música, o cinema, os hábitos do consumidor para tentar algo mais original e interessante.

3 – O que você tem achado do desempenho do Brasil nas premiações mundiais? E o que você espera para o festival de Cannes deste ano?

Acho que o Brasil já esteve melhor. Na minha opinião, estamos numa época de transformação, assimilando as novas mídias e tentando fazer melhor as mídias tradicionais. E estamos nos atrapalhando no percurso. Mas logo, logo, a gente acerta o passo.

4 – Como você vê a influência da internet e dos blogs na propaganda atual?

Bem, um grande número de jovens está mais ligado na internet do que na televisão aberta, e isso muda radicalmente o jogo. Alguns dizem que nós estamos deixando de ser uma sociedade de “comunicação de massa”, mas eu não acredito nisso. Pelo menos no Brasil, a influência da televisão é enorme. Mas que a coisa está mudando, está.

5 – Hoje, a maioria dos estudantes de publicidade e propaganda quando ingressam na faculdade tem um vislumbramento para a área de criação, como você vê isso? Como as agências estão se comportando com tanta procura de espaço pelos estudantes?

Se você olhar bem, vai descobrir que as agências hoje têm menos duplas de criação do que no passado. Ou seja, o mercado não está crescendo como seria de se esperar. O que acontece é que ele não absorve esse número imenso de jovens que são jogados no mercado de trabalho, a maioria deles, mal preparados.
Outro problema é que o campo de propaganda é tão vasto e estimulante que não se pode pensar apenas em criação. Existem outras áreas em agência muito interessantes. As áreas de internet, novas mídias, precisam de gente bem preparada e criativa.

7. Muitos dizem ser a internet o futuro da propaganda, outros a transmídia. Para você qual será o destino dos meios alternativos de comunicação?

Assim como o cinema não acabou com o teatro e a televisão não acabou com o cinema, a internet e todos seus derivados (celulares, redes de relacionamento, blogs, sites, etc.) não vão acabar com as antigas mídias. Mas vai modificar o peso delas na composição total e, inclusive, a maneira como as antigas mídias devem falar com o seu público.

8. Vários clientes ainda desejam o “feijão com arroz”, ao invés de investirem em mídias digitais. Isso é ruim?

Acho que a ousadia não está no fato de a mídia ser digital ou ser tradicional. A ousadia tem de estar na idéia que vai ser usada pela melhor mídia que a transmita ao consumidor.

9. Para finalizar. Que palavra você deixaria para os futuros publicitários e até mesmo para os mais experientes?

O nosso trabalho é muito simples: buscar uma grande idéia. Mas vamos deixar claro: o fato de ser simples não quer dizer que seja fácil.

Gostaríamos de agradecer ao Ruy Lindenberg que foi muito atencioso e nos respondeu com muita rapilidade e com muito carinho. E também aos nossos leitores.

Nos acompanhe também pelo Twitter:http://www.twitter.com/comunicadores

11 comentários
  1. Concordo com grande parte do que o Rui disse, principalmente qdo ele fala q a ousadia não está somente na mídia, mas sim, na grande idéia que se adequa ao seu melhor meio de comunicação, seja ele tradicional ou não.

    Parabéns Gui e Haendel pela entrevista ;)

    Abs,

    Gabriel Jacob
    http://www.adivertido.com

  2. Ah gente, super boa a iniciativa, mas as perguntas estão tão senso comum q nem valia a pena o Rui responder, podia ser qualquer um ligado a comunicação. Aproveitem melhor os entrevistados fazendo perguntas mais especificas sobre a agência, a carreira, trajetória. Perguntinhas sobre o grande número de estagiários e sobre a internet são muito senso comum.
    E, po, RAPILIDADE, que palavra é essa?

    Sucesso.

  3. Então, a gente resolveu ver o que o Ruy pensa a respeito de coisas – que como vc mesma disse, são de senso comum – pois na nossa área tem pessoas que falam mal de outdoor e outras que amam. Assim como eu responderia algumas coisas diferentes do Ruy.
    E RAPILIDADE é uma palavra que inventei… hahaaha… zueira, ia escrever rapidez e depois mudei pra velocidade mas na pressa saiu uma nova expressão! haueheauhaeu…
    Valeu

  4. RAPILIDADE, é Rapidez e Agilidade (deve ser) :D

    Na próxima, abriremos para vocês leitores, nos enviarem as perguntas para o nosso entrevistado ;)

    abraços!

  5. Dantas,

    Mandou bem cara. Vou para o Intercom Norte em Roraima e lá participarei a de uma oficina de sobre blog. Fazendo uma nova midia.

    Posso levar essa entrevista pra debate sobre blogs? Estou colhendo materias para que o debate sobre blogesfera em especial a publicitaria, seja aquecido.

    Responde no Uau!

    Abs

    Uau!

  6. Jaimão, tudo bem?
    Sumiu rapaiz!

    Lógico que pode levar para o debate! vai ser bacana!

    O Ruy tá dando mais uma entrevista pro Estadão e pra outros lugares, a respeito de Cannes, dá uma procurada! Vale a pena!

    Abrasss

  7. O Ruy foi meu primeiro parceiro de duplas na Standard Ogilvy… na época já era um sujeito à frente do seu empo e continua, embora tenha perdido alguns fios de cabelo!

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