Estamos cultivando uma cultura onde o chegar primeiro virou mais importante do que chegarmos juntos. De fato, já estamos nos viciando na substituição do diálogo e de necessárias ações pelo simples, cômodo e, nem um pouco eficaz, ensaio.

Estamos compartilhando individualidade ao invés de solidariedade. Criando, sustentando e vivendo um mundo virtual, onde tudo é líquido e extremamente descartável. Existem exceções e, claro que ninguém consegue se rotular como vítima dessa nova era, mas, até onde tudo isso pode, e deve, ser considerado como parte da nossa evolução? Quais novos valores estamos cultivando e, em larga escala, quais benéficas mudanças tudo isso tem proporcionado ao mundo? Estamos nos conectando apenas a internet e, infelizmente, estamos devorando este frio e, comercial dinamismo que nos é concedido como evolução, só que sempre projetada em um mundo que “não existe”.

Diante deste novo cenário, você – leitor, acredita que tem buscado um certo equilíbrio entre estas novas realidades ou, simplesmente, se adaptado a nova inércia sem muito se pensar no que, consequentemente, esta atitude acaba por criar e cultivar? Será que não estamos consumindo tecnologia como se fosse conteúdo, “relacionamentos” – vide as mais diferentes redes sociais e, seguindo esta dinâmica do ‘novo comércio’, como se isso fosse uma parte evolutiva de nossa ‘nova humanização’?

Eis aqui um vídeo que, na certa, vai te fazer pensar sobre o assunto; vale o play e o suspiro:

É fato que se ambos – autor/leitor + navegador/blog + interesse/clique, não estivessem ‘ON’, as chances de trocar este conteúdo e opiniões seriam extremamente difíceis, porém, caso esta oportunidade existisse – no ‘OFF, o diálogo, na certa, seria muito mais interessante do que este ‘monólogo’ (totalmente sem fala) que eu “pratiquei” ao digitar cada letra que compõe esta publicação diante de uma tela que, ironicamente, eu pretendia estar me ouvindo e entendendo cada confusa teclada que me encorajava a terminar o artigo e, é claro, este maluco exemplo. Calma, não sou um louco – acho, sei que algumas pessoas vão assistir ao vídeo, ler este pequeno texto e, na certa, podem não concordar com o material, com as minhas observações e tudo mais, mas o grande ponto aqui é a relevância que cada universo tem tido em nossas vidas e, sinceramente, esta esfera é absurdamente pessoal, cada usuário/ser humano sabe o peso que um comment, share, like, mention, whatsapp ou qualquer outro tipo de atualização tecnológica, que esboce alguma espécie de relacionamento causa de impacto em suas respectivas realidades vividas e não vividas.

‘ON’ ou ‘OFF’? De que lado você está? De que lado você quer viver?

O autor admite que o artigo foi escrito ao som de “Legião Urbana – Índios“. 

27 comentários
  1. a tempos que venho percebendo essas mudanças …
    sinto que não tem mais volta esse progresso " maléfico " pois o ser humano mergulhou de cabeça na modernidade e na tecnologia e acabou esquecendo de valores simples como abraçar o próximo , dar bom dia olhando nos olhos …
    É uma pequena que esteja acontecendo isso , pois o ser humano e um ser bondoso e cheio de vida para dar . mais nunca e tarde para recomeçar , basta uma atitude para esse movimento virar rotina de todos .

  2. Interessante foi observar que quase todos , postaram comentários sobre o vídeo. precisamos rever nossos conceitos quanto a leitura tbm. pois quem lê escreve e pensa melhor.

  3. Acho que mais do que a questão do "On/OFF, de que lado vc está?", é refletirmos sobre quanto tempo gastamos no ON e quanto tempo gastamos no OFF – e que valores cultivamos em cada um deles. O que cada um deles tras de rico para nossas vidas? É um fato que o ON não vai deixar de existir, e não vamos deixar de existir nele! No entanto, viver full ON é relamente deixar de lado coisas que só OFF pode proporcionar!! E vice versa…

  4. Gente! Que matéria fantástica.
    Uma pena não nos importarmos mais em chegarmos juntos, a competitividade acirrada nos tornam egoístas.

  5. As relações estão cada vez mais superficiais, as pessoas mais individualistas e o mundo mais carente de amor, confiança e respeito.

  6. Cuido do equilíbrio. Olho no olho é a forma de relacionamento que mais me fascina. Procuro cultivar isso junto aos que me cercam. Mas estar conectado ao mundo é um fato irreversível e também é muito bom.

  7. Observo, enxergo uma Pessoa idosa e sinto a necessidade, algumas vezes, que ela tem de um gesto, uma palavra LÚCIDA, de bom sendo, pois, pessoas experientes e que já viveram sentem-se inseguras devido à violência, flor da pele demais… eles são tão sábios, inclusive, observei um senhor tiranto a mochila dele da cadeira para eu sentar, fiquei emocionada, agradeci… E nossos Homens queridos Pais de família? Estamos todos num mundo, que mundo? Trabalhar? Todos querem e precisam, mas falta dignidade, calor humano, AMOR , e as crianças? Educação em casa, escola=ensino e, bom!!! Elas merecem! Inverso: Os idosos querendo VIDA e os JOVENS se matando. Dói.

  8. Legiãoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo ♥

  9. Muito instigante seu texto Eduardo parabéns!

    Outro dia participei de um evento sobre Sustentabilidade, cuja abertura foi uma crônica que questionava isso ON x OFF, de que lado vc está? Daí inspirado pelo tema, escrevi este poema:

    ON X OFF

    ON são nossos compartilhamentos frios e distantes

    OFF são nossos abraços, nosso carinho, nosso laço forte de amizade

    ON são nossas frases curtidas, nossas fotos de chegadas e partidas

    OFF são falas que confortam, nossos registros maiores de poses e caminhadas

    ON são nossas imagens descompromissadas, muitas sem apego… leves, ilustradas

    OFF são nossas construções idealizadas, nossos sonhos e desejos

    ON são beijos imaginários, encontros e baladas, colorida magia com os amigos

    OFF são abraços calientes, encontros verdadeiros de corpos e mentes

    ON são frases ao vento, textos colados e perdulários momentos

    OFF são conteúdos do coração, investimento sincero de vida

    ON são fragmentos e fantasias revestidos do real e do insustentável

    OFF é nossa sustentabilidade, nossa oração, nossa arte e nosso compromisso de viver.

    J. Carvalhoi

  10. acho q o meio termo entre os dois é o ideal, dizer q todo o mal é obra da tecnologia é exagero. (pra mim foi mais um desses vieozinhos emotivos com musiquinha temática e cenas onde todo mundo parece feliz o tempo todo)

  11. Não existe mais diálogo dentro de algumas casas, infelizmente confundimos tecnologia com valores e os valores foram se perdendo por aceitação espontânea de cada um…hoje em dia troca – se msg dentro de casa entre os mesmos…triste isso, o convívio familiar vai se deteriorando e ninguém percebe.

  12. A mudança sempre é bem vinda quando é para nosso crescimento, mas devemos saber que crescer também significa saber lidar com os pós e os contra, só assim você pode se considerar preparado para se desenvolver.

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