Atualmente, utilizamos redes sociais que deixam seus usuários cada vez mais angustiados e cheios de insegurança.  E, apesar de termos o controle dos nossos acessos neste nem tão novo mundo de interatividade, acabamos por contrair, como efeito colateral, novas manias, doenças e vícios, que, infelizmente, acabam sendo subestimados e considerados consequências naturais deste intenso “processo evolutivo” ao qual tentamos desesperadamente nos adaptar. A grande questão é: até que ponto tudo isso é verdadeiramente benéfico para nós?

Para exemplificar e melhor ilustrar a ideia que gostaria de apresentar neste post, vou descrever o que acaba de ocorrer comigo. Aproveitando um momento de ócio criativo, tentei desenvolver uma teoria que resultou em uma nova – e totalmente sem base científica – síndrome que nomeei de síndrome da televisão ligada. Esta síndrome tem como principal sintoma o fato de substituirmos os meios pelos quais adquirimos informação, sem muito alterar nossas condutas. Pode parecer confuso mas vou tentar descrever o raciocínio que desenvolvi para chegar à esta conclusão, tendo em vista o que apresentei anteriormente e considerando que a sociedade mudou expressivamente o seu modo de consumir a informação, deixando, teoricamente, o controle remoto de lado para produzir e interagir através de uma “democrática” tela touch. Essa mudança de meio foi encarada como uma verdadeira conquista. O que é verdade. Mas existem algumas práticas que acabamos criando e cultivando que,  agora, merecem nossa atenção. Afinal, a internet ainda é totalmente “desobediente”.  Nela, podemos achar tudo o que pode e o que não pode, sem muita restrição. Podemos interagir com qualquer tipo de conteúdo através desta avançada tecnologia de comunicação.

A grande questão é que temos tanto acesso, tanta informação, tanto conhecimento armazenado e compartimentado que, no fim das contas, a internet pode se resumir em ‘muita aba para pouco clique’. Afinal, tamanha a oferta de acesso acaba por redundar na falta de conhecimento real para saber usufruir tudo isso.

As redes sociais, com foco no Facebook, tem dinâmicas e objetivos muito simples aos olhos de quase todos aqueles que adquirirem o login e, consequentemente, o passaporte para o propósito da rede. Uma ótima maneira de dar sentido à síndrome da televisão ligada, é compreender que nosso comportamento na internet não se limita apenas ao  acesso aos portais, blogs, correntes, vídeos e outras inúmeras formas que concorrem para prender nossa atenção.

A principal característica dos primeiros sintomas da síndrome, é o assustador nível de importância que concedemos a esta realidade paralela, apesar de aquilo ser apenas uma extensão virtual de nossas vidas. Desta forma, nunca deixamos nosso canal desligado uma vez que sempre estamos envolvidos com alguma coisa dele. Este tipo de comportamento é exatamente o combustível mais importante para a rede social de Mark Zuckerber que, inicialmente, foi criada a partir de um conceito mais romântico que visava reunir e socializar seus usuários. Ocorre que, com sua absurda evolução comercial, o grande negócio passou a sustentar a mais profunda coleta de dados de que se tem notícias, com seus mais de 1 bilhão de membros, que acabam por funcionar como produtos, abastecendo a rede social diariamente com informações e tornando-a algo muito além de que uma simples e amistosa extensão virtual.

 

Alguns fatores que podem auxiliar numa melhor percepção sobre este ‘turn’ no negócio de Mark, mas que a grande maioria ainda associa como uma mera otimização da plataforma para melhorar a experiência de seus usuários, são as recentes mudanças que foram implementadas. O formato do perfil, que agora imprime a ideia de ser uma verdadeira linha do tempo, nos proporciona a possibilidade de inserir mais informações sobre nossas vivências e, claro, potencializa assim, a coleta de novos e preciosos dados para a rede social.

Outra expressiva alteração foi o sistema de notificação de “mensagem lida” que, além de aumentar a expectativa do usuário, também potencializa o uso da plataforma. Afinal, você não deixaria um amigo aguardando uma simples resposta sua, sendo que o mesmo foi notificado de que você já teve acesso à aquela informação, certo?

Futuras propostas serão aplicadas nos perfis pessoais, concedendo um espécie de monitoramento para que cada usuário obtenha maior controle sobre sua própria audiência. Aumentando a eficácia de certas ‘indiretas’ e desabafos na timeline. Daí, no final, conseguiremos saber se aquela foto que postamos referente a uma super viagem, acabou por atingir o nosso verdadeiro “público-alvo”.

Atualmente, já nos acostumamos controlar esta vida paralela no Facebook. Cultivamos falsas impressões e monitoramos inúmeras outras vidas que, muitas vezes, nos geram sensações negativas como inveja, apreensão e incerteza . Ao invés de mudarmos o “canal”, continuamos assistindo a estes impressionantes blocos comerciais dos ‘amigos’ em nossas timelines.  Com o tempo, vamos nos enquadrando nesta nova conduta para que, no fim do dia, atinjamos um falso sentimento de aceitação.

O vídeo abaixo foi inspirado no poema de Todd Alcott – Television is a drug – e traduz, de maneira genial, minha opinião sobre a nossa conduta nesta rede social. Tanto do ponto de vista dos que produzem quanto dos inúmeros usuários que a consomem. No fim, caímos em uma cilada que nos leva a perder horas e mais horas entre visualizações de fotos e comentários de vidas não-vividas distribuídas em milhares de timelines. Alimentando, assim, uma arrogante visão que julga, sem muito entender, tudo o que lhe é mostrado. E, claro, contribuindo para a disseminação de informações. Afinal, esta é a ideia da rede social, não é mesmo? Socializar, trocar, investir e também consumir este tipo de material. Se você não se comporta como um canal de televisão no Facebook, na certa, você o assiste, ou vai tentar fechar a aba do crime logo ali acima? | Substitua o “television” por “facebook” e dê o play:

A síndrome da televisão ligada se aplica facilmente ao Facebook porque, devido à soma de inumeras sensações que vão aumentando à cada avanço do seu scroll na home da rede, nós, usuários, acabamos por adquirir de maneira crescente um desejo de também ser notado dentre aqueles que se destacam na “linha do tempo”. Afinal, também tem gente nos assistindo, certo? Portanto, tenha em vista que, ao se deparar com fotos de amigos que se divertiam enquanto você trabalhava ou assistia um filme qualquer, se sentindo, desta forma, uma pessoa “nem tão sociável” ou que não esteja aproveitando a vida, você, rapidamente, assim como seu amigo que fez aquele ‘upload da diversão’, adquire o desejo de notificar/transparecer que também é uma “pessoa feliz”. E não, não é que você seja apenas induzido a se divertir também. Junto a este novo desejo, vem a ‘necessidade’ deregistrar aquilo na rede social. Para que você também consiga se posicionar na linha que pretende definir o que é a tal da felicidade.

Este tipo de efeito dominó tem o poder de desencadear a insegurança e a angústia “alheia”. Onde todos, se comportando como verdadeiros canais de televisão, acabam por travar uma imensa batalha pela audiência, na qual se destaca aquele que conseguir se “diferenciar” e, evidentemente, adquirir mais likes, shares, comments e views. Afinal, convertendo o universo virtual para o real, em teoria, quanto mais amigos, likes, shares, views e cliques você tiver, mais querido e aceito você parece ser, não é mesmo?

Um aspecto extremamente delicado desta questão é que os usuários acabam por entrar em uma narcisista disputa por, ‘likes, shares, views e comments’, o que, em teoria, serve para massagear seus (nossos) respectivos egos. E acabam por cultivar uma falsa sensação de pertencer ao incrível e imaginário universo virtual. A atenção que se deseja alcançar está diretamente ligada ao nível de exposição do usuário. Como se aquilo que ali está exposto fosse o primeiro plano da sua vida e onde você se esforça para parecer real. Ter uma opinião sobre tudo é extremamente necessário, falar sobre a vida pessoal como se fosse algo muito importante, acaba por se tornar consequência desta desesperada busca por atenção. Reflexo de uma sociedade carente, que se isola cada vez mais dos contatos genuinamente humanos e interpessoais. Na rede social, o usuário acaba se tornando o “ator principal” de sua timeline e os outros membros, meros figurantes, podem ser simplesmente quantificados em forma de likes e afins.

Para se manter com uma boa audiência, é necessário evidenciar o que se destaca. Todos sabem que a rotina não é algo muito atraente de se divulgar. Pensando assim, este tipo de compartilhamento não é muito bem visto na rede social. Por isso, alguns comerciais acerca de avanços tecnológicos surgiram para potencializar a nem tão justa equalização entre a vida real e a esfera virtual. Dispositivos móveis que auxiliam a atualização de sua vida paralela tornam todos muito mais ativos na rede social, o que tem como consequência aquela já mencionada massagem de ego, pois estamos muito mais presentes e aceitos neste universo que, efetivamente, não existe no plano real.

Instagram: o “photoshop popular”.

A aquisição do Instagram pela rede social demonstra o quão superficial tem sido o nosso direcionamento neste universo on-line. Afinal, a nova rede adquirida tem como foco o compartilhamento de imagens, certo? Podemos até rotular o Instagram como um “photoshop popular”. Que tem como objetivo o compartilhamento de imagens ‘editadas’, que, com o auxilio dos inúmeros filtros disponibilizados pelo aplicativo, melhor se adapte ao estilo que o usuário gostaria de transparecer através de seu “personagem virtual”. Considerando que o usuário que se comporta como uma televisão, tem uma forte tendência a expor e absorver falsos diferenciais, por que não associar isso aos comerciais de alguns produtos?

A ideia de associar o Instagram a um modelo de “photoshop popular” é exatamente a de uma ferramenta que, de uma maneira muito dinâmica, disponibiliza para o usuário a possibilidade de distorcer sua realidade – através dos mais diversos filtros – para torná-la mais interessante aos olhos de quem estiver ‘assistindo’. Por mais que os filtros do Instagram tornem a sua imagem em algo bacana para os outros enxergarem, a sua verdadeira experiência não foi alterada, ela se configura ali, naquele imagem que você clicou antes de distorcer que, felizmente ou infelizmente, não tinha muita graça e nem muita cor.

O ato de benzer o prato com o Instagram antes das refeições, também detém uma ideia similar à que foi apresentada. Dificilmente você fotografa o prato que mais consome, e sim aquele que se destaque, que tenha algo especial e que valha o ‘share’. Existem propósitos que sustentem esta nova prática, é claro. Mas se a rede social consiste em ser uma extensão de quem você é, por que buscamos destacar coisas que, honestamente, não nos pertencem? E por que mantemos a convicção de que notificar o mundo do quão importante está sendo o nosso dia é extremamente necessário?

Se viajamos, já temos o desejo de mostrar para todos os “amigos da rede” que estamos em um determinado local. Muitas vezes, esquecemos que estes posts são vistos – e julgados – por uma audiência que, talvez, a gente nem queira alcançar. É como postar uma foto querendo provocar a(o) sua ex-namorada(o) e, como consequência, impactar pessoas que você adicionou recentemente e que não tinham intimidade alguma para  “assisti-lo” tomando sol. É como gritar para todos os seus contatos da rede social que está adorando e aproveitando sua viagem no exterior, enquanto, a maior parte que visualiza – e não interage com a sua fantástica experiência – desconfia dos motivos da sua exposição.

Estamos monitorando e sendo monitorados durante praticamente todo o tempo., Nos deixamos afetar e influenciar por coisas que sabemos que não são de verdade, e nos esforçamos para parecer aquilo que também não é de verdade. Uma mentirosa e delicada busca por aceitação em uma rede de relacionamento que, de tão etérea, chega a não existir no plano real. Afinal, é cômodo se comunicar com alguém, demonstrando algum tipo de preocupação, quando este mesmo alguém acabou de  fazer um Check-in no hospital, certo? Tanto o check-in, quanto a ‘preocupação‘, são formas superficiais que acabam por mecanizar a relação social tornando-a algo frio e superficial.

Valores em evolução.

Seguindo a linha de raciocínio do sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, acabamos por estabelecer e nos tornar reféns de novas necessidades que concretamente “não existem”. Atualmente, temos um grande medo de nos desconectar. Não conseguimos sair de casa sem um celular, pois tememos que, caso seja necessário, não consigamos contatar ninguém e vice-versa.

Um questionamento que vale ser levado em consideração é o fato de estarmos cada vez mais dependentes de serviços que estão criando e moldando novas necessidades e que, consequentemente, forjarão novos comportamentos. Imagine se o Facebook resolvesse cobrar US$2,00 mensais para que a gente conseguisse se manter conectado com o mundo, você cogitaria pagar esta pequena taxa, não? Ou pior, já estamos adquirindo e digerindo cada vez menos informações significativas. Imagine se o Google – e todos os outros buscadores – começasse a cobrar US$0,50 por busca. Teríamos de pagar, você não acha? Já é algo que pertence ao nosso mundo, uma espécie de “necessidade básica”. A coisa fica mais assustadora se a gente refletir desta forma projetando isso nas futuras gerações que já estão nascendo dentro deste universo, totalmente conectados e dependentes destas novas tecnologias. Amparadas por estes serviços que estabelecem estas novas “demandas” de necessidade.

Se pararmos para pensar, estes avanços consumistas não deveriam ser totalmente associados a ideia de uma grande evolução para a sociedade. Em alguns aspectos, estamos regredindo e alterando a nossa percepção de valores. Pois, acreditar que o novo modelo de ‘celular Y’ é algo que vai revolucionar um mundo que carece de atenção humana, é se afastar de inúmeras realidades que estão espalhadas pelo mundo real, e que não tem espaço e nem a possibilidade de se integrar ao virtual.

O Exibicionismo Vs. A Autorrealização.

Geoffrey Miller, que é professor de psicologia evolutiva na Universidade do Novo México, criou um interessante comparativo entre as duas fases do narcisismo consumista, que diretamente atingem e definem nossos mais verdadeiros objetivos. É como se tivéssemos um interruptor entre o “Exibicionismo” e a “Autorrealização“. O autor ilustra este incrível exemplo entre o ‘fulano’ – que quer exibir características – e o ‘sujeito’ – que busca apenas a obtenção de prazer. Para tornar tudo mais prático, vou apelidar um dos personagens como “Amigo Instagram”, sendo este o que preza pelo exibicionismo, e o outro, que preza pela autorrealização, será chamado de “Seu Vivendo”.

O “Amigo Instagram” tem como busca o sucesso, a fama e a riqueza. Este, antes de tomar qualquer medida, sempre projeta qual será a visão que a sua audiência vai ter sobre aquilo, o público-alvo da sua própria vida não é ele mas, sim, os ‘outros’. As principais caracteristicas de sua casa é o enorme hall de entrada e a grande sala de jantar. E, claro, se tivéssemos acesso ao seu iPod, as principais características do dispositivo seria o seu design requintado, o destaque para a marca da Apple e, certamente, um case que, mesmo não sendo funcional, auxiliaria o posicionamento de sua imagem. Comparando exatamente as mesmas coisas do “Amigo Instagram” com o do “Seu Vivendo”, as diferenças destacadas seriam mais ou menos assim: o “vivendo” tem como objetivo de vida a felicidade, a diversão e a realização. Não se importa muito com rótulos, olha muito para si. E, afinal, ele é o alvo de sua própria vida. O cômodo de sua casa com maior diferencial seria a confortável sala de mídia e a suíte. E como destaque em seu iPod, teríamos o tamanho do hard drive, a qualidade do som, da tela e a duração da bateria.

Acredito que este comparativo entre os dois personagens ajude a identificar o tipo de comportamento com o qual você mais se identifique no universo on-line. Basta um breve overview na sua própria timeline. É bom admitirmos que, em certo ponto, todos acabamos por ter traços dos dois personagens, o que é comum e aceitável – se bem ponderado – como parte do comportamento humano.

Afinal, quando escolhi a foto do meu perfil, utilizei alguns critérios de exibicionismo. Não coloquei o meu pior ângulo – embora seja meio difícil de se acreditar. Os benefícios que estas redes sociais podem trazer são absurdos, mas é necessário ponderar nossas responsabilidades nestes meios. Já tive ótimas surpresas utilizando os benefícios desta dinâmica de relacionamento. Como reencontrar antigos amigos, marcar encontros com grandes grupos de uma forma muito mais prática – e automática também, assim como postar fotos dos meus pedais urbanos por São Paulo e, no fim do mês, descobrir que alguns amigos compraram bicicletas para se juntar à mim. O ponto central do artigo é o nível de importância que temos concedido à tudo isso. Vivemos uma era em que os avanços tecnológicos, cujos fins são totalmente comerciais, estão se apoiando neste tipo de postura e comportamento de  massa que associam novas funcionalidades à grandes ‘evoluções’. Tanto que, em breve, teremos acesso à este universo através de um óculos do Google e, mais breve do que isso, iremos ter um celular totalmente produzido pelo próprio Facebook. Moldado e adaptado às ‘novas necessidades’ de seus usuários. Será que realmente precisamos disso?

Até onde tudo isso é evolução? Até onde o contato humano, o relacionamento, a conversa com ‘olho no olho’ são menos interessantes e importantes do que estes novos meios de se comunicar? Se aprendermos a desconfiar e refletir sobre estas novas manias, finalmente conseguiremos extrair os verdadeiros benefícios desta forma complementar de se relacionar. Diminuindo assim, o índice de pessoas que cultivam aquela fantástica paranoia escapista que cabe em um bolso e que, em qualquer momento de tédio, esta ali pronta para iluminar o seu rosto e lhe entreter, podendo ser descartado momentos depois.

Pois bem, se este é um formato de se relacionar mais reciclável, vamos começar a dar mais importância aos que são verdadeiros. Troque uma foto por uma experiência e uma boa conversa de chat por um jantar. Volte a se relacionar com o mundo sem precisar de intermediação, ou você já vive dentro de uma tela?

O autor admite que o artigo foi escrito ao som de “Jamiroquai – Virtual Insanity“.

103 comentários
  1. Ótimo texto. Só uma coisa: parece que o Facebook desmentiu a história do Smartphone próprio, mas a ideia que quis passar no texto não muda.

  2. UAL…estava anciosa pra chegar até o final e concluir a reflexão. Triste realidade mesmo. Parabéns.

  3. Parabéns pelo texto, Eduardo Cabral. Reflexão muito pertinente!

  4. Excelente texto! Mas poderiam aumentar a fonte ou diminuir a largura da coluna a quantidade de caracteres por linha deixou a leitura um pouco cansativa.
    abraço

  5. Parabéns cara. Poucos conseguem enxergar isso que você detalhou perfeitamente. Já estamos alienados, acostumados a viver assim.
    Mas enfim, parabéns pelo texto, hahaha.

  6. " O ato de benzer o parto com o Instagram" me fez rir muito! Apesar de extenso, foi uma leitura muito boa, as pessoas nas redes sociais querem ter a vida perfeita, tentando mascarar a realidade nem sempre tão excitante, afinal existe a rotina!

  7. A continuar como estamos, vai ser mais estranho dizer que não temos um perfil no Facebook ou qualquer rede, do que dizer que não temos RG.

  8. Parabéns pelo extenso texto. São minutos investidos numa reflexão de até onde estamos nos deixando levar do real para o virtual. A sociedade está sim trocando conversas olho no olho por chats (inclusive eu), e é importante que haja uma ponderação para até onde vamos trocar o mundo e os contatos lá fora por uma tela de computador/celular e contatos via redes sociais. Valeu mesmo parar para ler seu texto, Eduardo.

  9. Nicholas Carr aborda esta questão em "Geração Superficial" e não, você não escreve muito, Eduardo, mas nós é que estamos habituados com "pop ups" de duas linhas, no máximo. Parabéns!

  10. Eduardo Cabral, boa reflexão, boa iniciativa de compartilhar sua epifania. Além de reconhecê-lo como um bom escritor, é louvável a característica do "nós" em alguns trechos do texto. Valeu a pena a leitura e embora compartilhe, torço para que mais pessoas possam ler e tentar chegar no bom senso do uso das tecnologias. até a próxima!

  11. Mais uma vez, um ótimo texto do Eduardo Cabral. Antes de ontem eu li "O relógio está correndo, sua vida está com pressa. E você está fazendo o que ama neste momento?" e assim como este último, me fez refletir bastante.
    E na minha opinião, em meio a tanto avanço, é isso que está faltando! Qualidade no conteúdo! Hoje em dia todo mundo só quer o lead da notícia e é preciso resgatar as informações aprofundadas. Esse avanço exige que todo mundo "precisa" ter uma opinião sobre tudo, mas o problema é que poucos estão dispostos a ler um texto extenso como este e acabando formulando opiniões genéricas baseadas em conteúdo produzido apenas para gerar likes e mais likes.

  12. Muito bom! Sempre acreditei que discernimento + bom senso ainda é a melhor fórmula para tudo. Pra mim a frase que melhor resume nossa atual realidade é: Não basta viver, tem que compartilhar. Já não vivênciamos mais as nossas próprias vidas.
    Confesso que fiquei espantada com os comentários que se referem ao texto como longo e suas variáveis, achei muito dinâmico e bem encadeado!

  13. Ótimo texto, ótimo ponto de vista. E mesmo depois desse tapa de luva na cara, cá estou a compartilhar e voltar ao mundo paralelo do facebook. hee

  14. Andy Warhol disse que num futuro proximo todos teríamos direito aos cinco minutos de fama, dentro de cada um existe um ser exibicionista que anseia por aprovação, por atenção, por reconhecimento.. a vitrine está ali, pronta para satisfazer ao ego de cada um.

  15. Excelente texto, coerente e serve para abrir os olhos dessa geração. O vídeo citado me impactou de forma surpreendente, foi uma boa sacada usá-lo como referência!

  16. Gostei mto do texto ao mesmo tempo q me senti deprimida por ser quase uma escrava deste mundo pouco real onde vc se sente obrigado o tempo todo a mostrar o quão divertida sua vida é o quão inteligente/bonito/popular/rico/(insira o que quiser aqui) vc finge ser… E o quão (achamos) chatas aquelas pessoas q por não saberem "usar" direito as redes sociais acabam postando coisas simples q achamos entendiante ou classificamos a pessoa como qm não tem noção nenhuma de como se comportar "virtualmente"… Nossa vida cada vez mais cheia de informação infelizmente está nos fazendo refletir cada vez menos sobre as coisas e como usamos as tecnologias ao nosso redor de forma realmente útil e produtiva.

  17. Evolução é mudança, transformação, não necessariamente pra melhor. A evolução da tecnologia sempre terá a sua parte fútil e sua parte útil. Como a rádio novela prendia o ouvinte grudado em casa décadas atrás, hj o facebook prende a gente grudado na tela. Claro q não dá pra fazer essa comparação em relação ao tempo perdido na futilidade, mas novelas fazem sucesso pq os personagens têm vidas mais ativas do q as monótonas vidas reais. Do mesmo jeito q acompanhar a vida dos outros no face, ou inventar a própria, as vezes, é mais interessante. Uma grande ilusão. Eduardo Cabral, vc descreve mto bem como a necessidade q alguns têm de ser aceito e admirado pelos outros não mudou, e como agora ficou fácil fingir ter uma personalidade pra tentar (se) convencer q é alguém "mais interessante". O filme Wall-e mostra bem como será nossa evolução se continuarmos nesse consumismo e com maior interesse na vida virtual do q na real. Mto bom o texto, parabéns!

  18. E cá estamos nós comentando pelo plugin do FB. Há tempos me despedi do meu perfil pessoal, pois não havia nada de interessante lá, senão as pessoas postando um monte de bobagens que me faziam perder horas.

  19. Gostei muito das suas observações, Mari! De fato, acabamos por demorar em sacar a funcionalidade e a razão de certas coisas, isso pode acabar acarretando em algumas péssimas consequências. Acho que a rede social tem um propósito interessante, mas o comportamento em 'rebanho' acaba por distorcer tudo e, o que, em teoria, deveria ser benéfico, acaba por desencadear uma porção de 'novos costumes' que vão acabando com a gente.

  20. Pois é, Marcos! Também li este livro… recebi algumas dicas, de que o conteúdo não tinha a "dinâmica" da internet e coisas do tipo.. de fato, 'foge' um pouco, está super extenso… e, de acordo com o raciocínio do livro, isso é preocupante, né? Estamos deixando cada vez mais as informações pertencerem as nossas extensões, deixando de digeri-las e aplica-las… preocupante! E obrigado pelo elogio; abs.

  21. Mas esta é a dinâmica que estamos cultivando e sustentando no ambiente on-line. Não sou contra o uso de redes sociais e afins, pelo contrário, acho que podem ser plataformas incríveis, que podem agregar demais em todo e – quase – qualquer sentido. Só temos de saber ponderar a finalidade, né?

  22. Sem dúvida. Mantive a minha página justamente para que pudesse promover assuntos interessantes (como esse) aos usuários do FB. Eu meio que me revoltei com a falta de informação relevante por lá e decidi postar coisas úteis (ou ao menos interessantes).

  23. Wow! Realmente espetacular! Trazendo para esse assunto, com a necessidade de se enquadrar no padrão de êxito percebo que os usuários preferem registrar os momentos como prova – tanto para os outros como para ele mesmo – do que de fato absorvê-los. Estou em casa, mas não posso somente estar em casa, tenho que estar feliz em casa, ou, estou viajando de férias, mas não posso só estar viajando, tenho que mostrar o que estou fazendo, ou ainda, sai sexta-feira com o namorado, tenho que mostrar onde fui, o que bebemos e comemos! Desta forma as experiências passam a ser vividas por posts e comentários de quem nem estava lá, entretanto, na memória, ficam registradas as lembranças finais, como bem disse Kahneman na palestra, e não a experiência em si. Que paradoxo, não?!
    Anyway, eu não conhecia essa palestra, agradeço pela dica, que inclusive foi muito esclarecedora para o momento que estou vivendo agora. Obrigada! ;)

  24. Sem dúvida. A questão é parar para refletir no que você está fazendo. Quando eu o fiz, percebi que estava gastando uma quantia considerável do meu tempo com coisas de importância secundária, ou pior, sem importância alguma. Na época comecei a postar coisas interessantes (tipo um movimento reformista de um homem só), mas aí percebi que essa atitude não se encaixava no que se convencionou chamar de perfil pessoal, aí criei a página. Por sinal acompanho esse portal e publico por lá muitos links dos Comunicadores.

  25. Eduardo Cabral Humanos são criaturas de hábitos (no geral), uma vez que nos habituamos a fazer algo de um modo, o faremos assim pelo resto da vida. Mudar hábitos é uma tarefa muito difícil, e quando você o faz, normalmente é "estigmatizado" pelos que os mantém (não ter um perfil pessoal no FB, por exemplo).

  26. Eduardo, reflexão interessantíssima. Você tocou num ponto que eu identifico em diversas pessoas, em níveis diferentes – e não me excluo disso (e fazer terapia me auxilia a reconhecer tal atitude). É o viver para o outro, para ser reconhecido/valorizado pelo outro, a despeito do que essencialmente somos. É também a necessidade de pertencimento, de saber-se querido. Acredito que há muito de vaidade, como você citou. Nossa vida virtual cria a falsa impressão de termos muitos amigos. Muitos cujos laços resumem-se a escrever "Parabéns" uma vez ao ano. Há também uma idéia errada de intimidade, que não se constrói unicamente na experiência virtual. As pessoas participam das histórias alheias no papel de expectadores, mas não as viveram. É preciso participar da construção de histórias para uma real amizade (na minha modesta opinião).
    Há um outro ponto que muito me incomoda no facebook. A apropriação da opinião alheia, sem reflexão. Sabe aquele sujeito que compartilha algo que vc postou, mas não se deu ao trabalho de ler direito para saber se concorda? Ou tem preguiça de justificar uma discordância? Ele apenas repassa algo porque o autor é "cool" ou porque achou o texto bem escrito. Enfim, o que me incomoda de fato é que as pessoas tomam como suas opiniões que não lhes pertencem ou com a qual não necessariamente concordam, simplesmente porque isso dá audiência.
    Gostei muito do texto. Muito oportuno. Parabéns.

  27. O texto é imenso , mas parei p ler….. mto importante oq foi dito com mta clareza sobre a realidade ou virtalidade q estamos vivendo,…..

  28. Que puta matéria, parabéns!
    De fato, é muito questionável o quanto precisamos de tudo isso. Onde termina a necessidade e começa a dependência?
    Muito bom.

  29. Excelente visão sobre a "Síndrome da Televisão Ligada", sendo replicada em outras mídias que assumiram (ou ainda estão assumindo aos poucos) o lugar da televisão em nossas vidas. Estamos ficando viciados em exibicionismo?

  30. Maravilhoso texto! me vi em várias situações… da mesma forma que o facebook atrai novos amigos, nos tira e nos afasta de alguns que achávamos que éramos irmão e tais. Enfim, parabéns pelo texto e vamos pensar em reformular a vida, mas a vida real.

  31. Excelente ponto de vista, pra parar e refletir! Parabéns, valeu muito a pena a leitura :)

  32. Olá Mauro! Só vi seu comentário hoje! No livro "A Geração Superficial" (de Nicholas Carr) ele aborda exatamente isso, a questão do 'pensar através do outro'. O universo online é tão dinâmico que apenas replicamos opiniões que, no fim das contas, nem lemos, apenas nos identificamos com quem postou/compartilhou, escreveu ou, até mesmo, pelo título que nos leva a projetar uma 'opinião' extremamente superficial sobre aquilo. Temos tanto acesso que acabamos por nos tornar testemunhas de toda essa informação, achando que no fim das contas, a gente detém todas… mas é exatamente o contrário. Hoje em dia, dificilmente a gente se locomove sem um GPS ou inicia algum tipo de trabalho sem antes abrir o google, não é mesmo? É um pouco assustador, seguindo este condicionamento, a tecnologia esta servindo como uma forma de auto-amputação.

    Sobre as relações, o fato de cultivarmos essa falsa sensação de aceitação e intimidade torna tudo tão superficial quanto as informações que temos, no fim, é tudo líquido, falso: virtual – não existe… Desculpe a demora e, claro, a confusão em compartilhar – novamente – o meu ponto de vista; abs.

  33. Tranquilo. Concordo contigo e me assusto com algumas coisas. Sabe quando vc vê quatro pessoas numa mesa de bar, cada uma consultando seu celular? Socorro !!

  34. Tirei algumas conclusões sobre a "a vida como ela realmente é…" (Todos são iguais no FaceBook risos …)
    Confesso que aprendi a lidar com as redes sociais … Aprendi muito desde "o velho" orkut…
    Pessoas facebook-maníacas (como poderíamos chamá-las risos …) seriam aquelas pessoas mais carentes, com baixa auto-estima … que necessitam de atenção ou sente uma enorme necessidade de MOSTRAR quem ela é… Sempre querendo dar satisfação "a sociedade" … independentemente de sua classe social … um desejo de compartilhar seus sentimentos de perda ou de alegria … E ainda, conhecemos aquelas chamada BIPOLARES … um dia está feliz e do nada, perde o bom humor … Expressando também seus sentimentos nos vídeos que postam … ou sua indignação através de algum poema de um escritor famoso …
    Podemos chegar as boas e até as más conclusões …
    Os profissionais de psicologia estão em cima desta grande questão.
    O importante é a moderação no uso. Mesmo ficando impossível, onde o acesso está mais fácil, por exemplo: login via celular …
    Gostei muito do nome síndrome da televisão ligada.

  35. Parabéns pelo artigo. Leve e de fácil interpretação levantando questionamentos importantes.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia também

Porque o McDonald’s fez certo

Quero começar dizendo que esse não é um post pago, e é…