Porque o McDonald's fez certo
Quero começar dizendo que esse não é um post pago, e é uma opinião pessoal, que não reflete a opinião dos meus colegas de blog – e nem do blog. Mas eu gostaria de dar os meus dois centavos nessa conversa que, de tão comentada, já deve ser bilionária. Eu não acho que o McDonald’s deu a resposta errada.

Não é só uma questão de “Ah, o McDonald’s recusou uma proposta para fazer o bem“. Esse é um comentário que vem muito depois das reclamações “Ah, mas eu queria experimentar esse sanduíche” (queridos, se o projeto saísse do papel, só quem estivesse em Atlanta, aproveitaria. Não ia ter no Brasil). Logo, podemos dizer que a maior frustração foi não fazer acontecer o evento gastronômico, e não o evento a favor da paz.

Antes de fazer isso, pfvr... leia o texto =)
Antes de fazer isso, pfvr… leia o texto =)

Muito se falou sobre o McDonald’s não querer deixar o Burger King “surfar” na sua marca. Como deixar o seu concorrente tomar a iniciativa e ficar com todo o crédito (pois é isso que aconteceria: Se a proposta fosse aceita, o BK ficaria com todo o crédito, sairia como líder de um projeto de responsabilidade social). E acho que esse é um ponto importante. Aposto que qualquer um dos que reclamaram, caso fossem os responsáveis pela marca, tomariam a mesma atitude.

Mas como isso já foi falado em vários textos, gostaria era de falar sobre outra coisa: a temática da guerra na proposta do BK. Esse é um problema muito maior, e por isso acho que a resposta do McDonald’s foi acertada, inclusive na sua forma de um texto simples.

Uma empresa cuja matriz tem, desde 2003, o slogan “I’m lovin’ it” (No Brasil “Amo muito tudo isso“, com alguns slogans complementares, e muitos envolvendo a palavra “amor”) não pode endossar uma mensagem que diz que ela está em guerra. E foi isso que o Burger King fez (e não estou criticando, achei todo o conceito muito bacana). Eles disseram: “Mc, estamos em guerra. Vamos fazer um dia de trégua?”.

E o McDonald’s respondeu:

E a cada dia, vamos deixar claro que entre nós há simplesmente uma competição de negócios amigável e certamente não as circunstâncias inigualáveis de verdadeira dor e sofrimento da guerra.

Portanto, a atitude da empresa foi bastante acertada. Se a intenção fosse apenas se distanciar da proposta do restaurante temporário em Atlanta, a resposta poderia ter sido mais elaborada – e até ter rolado uma contra proposta do tipo: “Quem sabe ao invés de fazer isso em um dia, em uma cidade, vocês não usem a sua rede global conosco para fazer o McDia Feliz?”. Um exemplo que faria com que eles entrassem na brincadeira e saíssem como “líderes”.

Ter se dedicado para dar uma resposta mais elaborada ou “engraçadinha”, seria mais prejudicial que a recusa. E não porque o Burger King tomou a iniciativa, mas porque seria admitir que existe uma “guerra”. E isso seria bem incoerente para a postura de uma marca que investe centenas de milhões de dólares por ano, para se posicionar como “amor” e “felicidade”.

E não, não acho que o Burger King foi oportunista. O marketing do BK tem sido ótimo, criando ações que têm dado bastante destaque pra marca. Acredito que o principal elemento do briefing, nesse caso, era o de chamar atenção para o Peace One Day. E isso eles conseguiram.

Então, pra terminar, tenho lido muitas opiniões sobre como o “McDonald’s perdeu a oportunidade de ser cool, bacana, ou sair por cima” – e que isso teria sido um gol contra. Não li nenhum texto (mas caso eles existam, deixem nos comentários) falando sobre como a mensagem da proposta do Burger King, e o posicionamento dessa campanha, afetam os restaurantes dos arcos dourados e toda a percepção da marca.

22 comentários
  1. Tudo bem até o ponto onde eles não podem endossar uma mensagem que diz que estão em guerra, tudo bem na recusa do pedido, tudo bem tudo bem… Mas qual a necessidade daquele P.S.? Não acha que foi um pouco grosseiro, desnecessário e prepotente? Porque se vamos incentivar o amor, a felicidade e a paz, porque não a educação?

  2. Parabéns, o texto refletiu tudo o que eu pensei sobre o assunto e acrescentou mais.
    Vou compartilhar :D

  3. desculpa, mas o que tem de prepotente em mandar o cara ligar? Se o objetivo era incentivar a paz, por que não fazer isso da forma correta? não se faz propostas profissionais em redes sociais…

  4. Concordo com a @carolinaresende:disqus. Acho que o BK acabou colocando o Mc na parede, fazendo a proposta dessa maneira. O PS serviu pra dizer que eles estavam abertos a propostas, mas que elas deveriam ser feitas através dos canais apropriados.

  5. Achei que o marketing do BK foi incrivelmente inteligente e acho que não a intenção de uma “união” das marcas, mas sim causar. E conseguiu.
    Como citado na resposta do Mc, se eles quisessem meeeesmo uma parceria teria dado um telefonema, não criado um site.
    Colocou mesmo o Mc numa saia justa muito difícil de sair por cima e conseguiu promover a marca com um investimento baixo, pq a coisa se espalhou sozinha, virou notícia e foi muito comentada e eles ainda saíram como mocinhos!!!

  6. Tá ai uma boa opinião sobre o assunto. Bem parecida com a minha. A não ser pela parte sobre “não acho que o BK foi oportunista”. Aproveitaram-se de uma oportunidade para colocar o principal concorrente em um beco (quase) sem saída. Tenho certeza de que o mundo seria igualmente impactado pelo anúncio de uma união história entre dois dos maiores concorrentes do mundo em virtude de um bem social. E seria uma ação positiva para os dois lados, igualmente. Da foram arquitetada, pública, sem planejamento pelas duas partes, fica fácil imaginar o reizinho dizendo “se eles não toparem vai ficar feio pra eles”. Oportunista.

  7. Tudo certo, mas continuo achando que a frase final da resposta do McDonalds (o ps), acabou estragando todo discurso, foi indelicado, na visão de nós profissionais talvez fosse algo necessário, mas e na que interessa (público geral)?

    Acredito que eles são bons o suficiente pra ter dado uma resposta bem melhor, e quando digo isso, não é pela questão de aceitar ou não o convite, é de como sair bem de tudo isso, afinal é inegável que o Mc foi colocado na parede com essa proposta (se aceita, o BK sai com fama de criativo e pacífico por ter criado a ação, e se recusa, o Mc sai como vilão).

    Não sei se a imagem do Mc piorou com essa ação, mas que a imagem do Bk saiu melhor, tenho quase certeza que sim.

  8. E sempre q a gente for analisar essa situação é preciso lembrar que nos USA o Mc Donalds é QUATRO VEZES maior q o Burger King…sim, QUATRO VEZES! Pra eles fazer uma “parceria” com o BK seria somente ser escada pra um concorrente muito menor! Em termos de business, nao faz sentido nenhum.

  9. “[…] seria bem incoerente para a postura de uma marca que investe
    centenas de milhões de dólares por ano, para se posicionar como ‘amor’ e ‘felicidade'”.

    Talvez eu tenha um posicionamento diferente ao que se refere o significado de amor; sem hierarquia. Um horizontalidade sem espaço pra líderes, um compromisso acima do ego, da individualidade.

    A idéia foi boa e, muito provavelmente, a atitude – caso tivesse sido aceita – se tornaria uma referˆncia onde, realmente, seria praticado o ponto que o McDonalds toca: “E a cada dia, vamos deixar claro que entre nós há simplesmente uma competição de negócios amigável”, mas não foi isso que fez, pelo contrário. Não houve “amor”em uma resposta dessas, e sim ego: “do meu jeito, no meu tempo, na minha hora, através da minha maneira. ps.: pelo meu telefone”.

    Há várias maneiras de responder isso, principalmente pra quem investe milhões em “amor”, na verdade amor não custa.

    Ex.:”A cada dia, deixamos claro que entre nós há simplesmente uma competição de negócios amigável. Por isso achamos interessante a proposta vamos marcar uma reunião para saber como podemos fazer isso da melhor maneira, pra o McDonalds, para o Burguer King e, claro, para todos os nosso clientes”

    E tantas outras maneiras de se chegar a uma solução, sem asco. ;)

  10. Concordo plenamente Lucas, qualquer resposta positiva a campanha seria contraditório ao posicionamento da marca, por mais que o McDonald’s ficasse por cima não valeria a pena.

  11. voce me ganhou com o gif de brian <3 concordo plenamente.

  12. Só acho que o Sírigueijo deveria deixar o Bob decidir, MC ou BK.

  13. Não foi grosseiro, desnecessário, nem prepotente. A “Guerra” não é um tema pra serem usados como ferramenta pra fazer uma campanha de marketing, é muito mais sério. Se o objetivo era a paz e amor, você realmente poderia ter ter só mandando um telefonema. Com esse PS MC aponta que eles não gostaram da atitude que eles tomaram.

  14. Lucas, embora nao concorde com a totalidade do seu texto, também acho que a resposta do McDonalds não foi inadequada. Acredito ter havido certo exagero por parte das pessoas. A resposta foi rápida e enfatizou que não há guerra. Acertaram.

  15. Daqui alguns dias ninguém mais se lembrará disto, arranhão nenhum

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